Eu subi aquela ladeira, e a chuva fina foi me desanimando, aos pouquinhos. Digo chuva fina, porque não quero dizer que o que me desanimou foram as lembranças. Aquelas lembraças, de não ter lembranças de coisas que eu gostaria de ter tido, e de ter tantas outras, que me prendiam para longe dali.
Mas no meio de tanta coisa, eu ainda achei tempo e me diverti. Me lembrei de um figuraça que trabalhava no brechó. Perdeu a graça depois que ele foi embora. A gente conversava sobre tudo, e às vezes eu nem me lembrava o nome dele. Mas depois fui ficando mais amiga, aos poucos, e tentei me aproximar mais. Mas coca ali era mato. Não estendia a noite porque sabia que não ia prestar, e acabei me afastando do mundo daquelas pessoas. As noites eram fantásticas, e eu ficava abismada com a capacidade que adquiri para caçar assunto com pessoas. Era me sentar no banco redondo do bar, pegar a pinga e esperar. Fotógrafo, aspirante à cineasta, duas caras, estudante, gente nova, gente muito velha, lésbicas. Vinha de tudo, e pra todo mundo eu tinha uma pergunta na língua, que desencadeava no mínimo um zilhão de palavras em resposta. Porque as pessoas realmente gostam de falar sobre elas mesmas, e se tem algo que eu sei fazer bem, é instigar tal comportamento.
Peguei o folheto da colação de grau, e descobri que tenho direito à 10 convidados... ahhahaha, quem vou chamar, para ir às 18h00 do rush para avenida santo amaro? Era para eu ter me formado ano passado... Vou sozinha, que afinal de contas não é nada demais assinar um papel que vai dizer que sou apenas mais uma publicitária sem exercer a função.
Este post esta cinzento demais, mas ainda não acho graça em escrever sobre as maravilhas que andam me acontecendo...
Depois eu ia embora no final da noite, às vezes correndo pra pegar o último metrô. Acabada, mas tão cheia de idéias, que elas me atrapalhavam para respirar. Eu sentia o peso, abandonava tudo quando abria a porta do apartamento, e o meu inferno recomeçava.
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