Se não sofressemos nossas angústias, não existiriam as obras de arte, a música, poemas e crônicas.
Nunca vi ninguém produzir alguma coisa realmente boa sem estar com alguma pimenta entalada ali, na garganta, bem mal resolvida.
Terminei o Amarras, meu último autoral. Influências absurdas de pintores me assolam a alma quando faço o tratamento nestas imagens, devo estar com algum espirito perdido de algum pintor realista pairando dentro do meu apartamento.
Estou bolando algo para escrever sobre o Amarras. É, porque além de foto preciso de um texto, não sou nada sem meus textos.
Amarras fala sobre fitas preta de cetim presas no nosso corpo. Todo mundo tem, e elas se enrolam em outras fitas, e mais outras fitas. Tem gente que vive a vida inteira sem conseguir desatar os nós produzidos por elas mesmas. Tem gente que corta e consegue ficar feliz sem nenhuma fita. Tem gente que precisa de muitas fitas, e tem gente que não consegue mais se movimentar de tanta fita emaranhada. E as amarras se encontram freneticamente umas as outras.
As vezes se vive uma prisão, de tanta intensidade. E se produz tanta fita ! Mas das vantagens em se viver demais... é saber que mesmo após aprisionar-se, é possível libertar-se e voltar a ser o que se era. .
terça-feira, 30 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
deslocada
Estou deslocada.
Das festas, nos restaurantes, em parques. Em ônibus, andando a pé, sentada em um banco qualquer. Deslocada das conversas, deslocada do silêncio.
Se paro para pensar, não faz sentido. Mas deixar a cabeça vazia, não há muitos caminhos e paro sempre lá, no mesmo lugar. Deslocada.
Com certeza, esta sendo uma das piores fases da minha vida.
Das festas, nos restaurantes, em parques. Em ônibus, andando a pé, sentada em um banco qualquer. Deslocada das conversas, deslocada do silêncio.
Se paro para pensar, não faz sentido. Mas deixar a cabeça vazia, não há muitos caminhos e paro sempre lá, no mesmo lugar. Deslocada.
Com certeza, esta sendo uma das piores fases da minha vida.
domingo, 14 de novembro de 2010
clichê
Casamentos. Quantos na vida vc se lembra de ter comparecido. Perdi a conta. Quase sempre a mesma coisa. Nunca fui madrinha nem convidada de honra, apenas amiga de amigos, no máximo testemunha de cartório.
Não sou católica, portanto a missa é um martírio. Quando rezam o pai nosso finjo que estou concentrada olhando para o chão. Eu sei de cor a oração- fruto de uma geração que ainda foi obrigada a fazer catecismo. Decididamente não nasci para ser desta religião. Acho uma grande baboseira o blablabla vc aceita seu marido e blablabla fidelidade. Se o ser humano tivesse nascido fiel, não teríamos tantos divórcios, brigas e pessoas infelizes. Se o ser humano aceitasse que não nasceu para ser monogâmico, talvez ficasse mais satisfeito.
O que acontece é que mesmo pensando tudo isso e querendo me teletransportar quando a noiva entra na igreja com aquelas músicas angelicais bregas, com violino e tudo o mais, o clichê é tentador. Eu queria o clichê.
Não sonhei casar, nem muito menos de branco. Mas planejei onde seria, com quem e quais convidados. Clichê.
Eu só queria alguém para dançar a "música dos noivos". E a sessão de fotos seria tentadora. Quantos milhões de fotos eu tenho guardadas. Meu clichê é pior do que o de todo mundo porque além de tudo, ele envolve amores antigos, pessoas amigas entre ambos, muita mas muita nostalgia. Meu clichê não tem vestido branco nem dj tocando Dancing Queen, mas vai comover o mais frio de todos os seres humanos. Meu clichê tem muito passado.
Não sou católica, portanto a missa é um martírio. Quando rezam o pai nosso finjo que estou concentrada olhando para o chão. Eu sei de cor a oração- fruto de uma geração que ainda foi obrigada a fazer catecismo. Decididamente não nasci para ser desta religião. Acho uma grande baboseira o blablabla vc aceita seu marido e blablabla fidelidade. Se o ser humano tivesse nascido fiel, não teríamos tantos divórcios, brigas e pessoas infelizes. Se o ser humano aceitasse que não nasceu para ser monogâmico, talvez ficasse mais satisfeito.
O que acontece é que mesmo pensando tudo isso e querendo me teletransportar quando a noiva entra na igreja com aquelas músicas angelicais bregas, com violino e tudo o mais, o clichê é tentador. Eu queria o clichê.
Não sonhei casar, nem muito menos de branco. Mas planejei onde seria, com quem e quais convidados. Clichê.
Eu só queria alguém para dançar a "música dos noivos". E a sessão de fotos seria tentadora. Quantos milhões de fotos eu tenho guardadas. Meu clichê é pior do que o de todo mundo porque além de tudo, ele envolve amores antigos, pessoas amigas entre ambos, muita mas muita nostalgia. Meu clichê não tem vestido branco nem dj tocando Dancing Queen, mas vai comover o mais frio de todos os seres humanos. Meu clichê tem muito passado.
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