domingo, 14 de novembro de 2010

clichê

 Casamentos. Quantos na vida vc se lembra de ter comparecido. Perdi a conta. Quase sempre a mesma coisa. Nunca fui madrinha nem convidada de honra, apenas amiga de amigos, no máximo testemunha de cartório.
 Não sou católica, portanto a missa é um martírio. Quando rezam o pai nosso finjo que estou concentrada olhando para o chão. Eu sei de cor a oração- fruto de uma geração que ainda foi obrigada a fazer catecismo. Decididamente não nasci para ser desta religião. Acho uma grande baboseira o blablabla vc aceita seu marido e blablabla fidelidade. Se o ser humano tivesse nascido fiel, não teríamos tantos divórcios, brigas e pessoas infelizes. Se o ser humano aceitasse que não nasceu para ser monogâmico, talvez ficasse mais satisfeito.
 O que acontece é que mesmo pensando tudo isso e querendo me teletransportar quando a noiva entra na igreja com aquelas músicas angelicais bregas, com violino e tudo o mais, o clichê é tentador. Eu queria o clichê.
Não sonhei casar, nem muito menos de branco. Mas planejei onde seria, com quem e quais convidados. Clichê.
Eu só queria alguém para dançar a "música dos noivos". E a sessão de fotos seria tentadora. Quantos milhões de fotos eu tenho guardadas. Meu clichê é pior do que o de todo mundo porque além de tudo, ele envolve amores antigos, pessoas amigas entre ambos, muita mas muita nostalgia. Meu clichê não tem vestido branco nem dj tocando Dancing Queen, mas vai comover o mais frio de todos os seres humanos. Meu clichê tem muito passado.

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