terça-feira, 28 de dezembro de 2010

So Broken

...

 Meta para 2011: não ser indecisa.

 Não é ser pouco indecisa. É NÃO ser.

 Enquanto isso, nestes últimos dias de 2010, pratico insanamente o que eu sei fazer melhor: idéias insanas de indecisão sobre quaisquer assuntos que aparacerem.

 Ai, isso é um saco, a todo tempo sinto que tenho que fechar os ouvidos e olhos para não querer mudar de idéia.
 Já falei que vou passar a virada de ano sozinha desta vez. Meu coração precisa de paz. Mas esta tão difícil manter-me nesta posição...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

go...

Tem horas que o melhor a ser feito é parar de procurar explicações. Se veio, é porque tinha que vir. Abraçar sentimentos e ações sem medo é uma virtude que poucas pessoas tem.

de todas as coisas.

 Há exatos 2 meses, meu terapeuta vem me falando que tenho que dormir mais cedo. Há exatos 8 meses eu tive minha crise intensa de não-durmo-nunca-mais-meu-deus-vou-morrer. Há 2 anos notei que o que meu vizinho do andar de cima de casa estava fazendo todas as noites intervinha mais do que o normal em meu sono. Há 3 anos eu devo ter percebido que era uma pessoa um tanto quanto ansiosa demais.

 Engraçado tudo isso. Você acha que uma coisa é apenas uma coisa, e quando vê, ela é a ponta de todo um iceberg. Quero dizer, quando é que você vai sacar que suas noites mal dormidas tem realmente a ver com você também não conseguir se relacionar com as pessoas, ou que você ter perdido mais de 8 kilos em menos de meio ano tem também à ver com não dormir... ? Agora parece óbvio mas no meio do caos completo tudo fica sem sentido.

 Eu gostaria de dar mais sentido às coisas. Tem horas que as coisas fazem muito sentido, normalmente sentada na frente do meu querido terapeuta. Mas depois chego em casa, vou botando as coisas em ordem, vou procrastinando outras tantas e de repente estou maluca achando que tudo esta sem pé nem cabeça. Ai vou ficando obcecada com um milhão de conclusões... de porquês imaginados, de causas descausadas. Todas elas fazem sentido, na hora sabe. E tudo o que eu organizei bonitinho em minha cabeça, no momento em que tive que tomar alguma decisão drástica cai por terra.
 Porque foi mesmo que eu sai da porra do meu emprego? O que deu em mim para sair do estágio antes dele terminar? Porque é que eu sai daquele apartamento...aquele ótimo na paulista? O que deu em mim quando eu sai, novamente, de mais outro apartamento? Meu deeeus de novo outra mudança, quantas mudanças de casa eu fiz esse ano, porque raios voltei pra mogi no meio de 2008. eu já não consigo me lembrar... E porque foi mesmo que eu não fui naquela entrevista de emprego e neguei aquele outro? Caralho porque é que eu terminei meu último relacionamento? Porque é que eu fui naquele lugar que não deveria ter ido? Porque falei aquela coisa mesmo? Aquela frase que eu poderia ter guardado para mim... Quando foi que deixei de falar com aquelas pessoas? . A Dra. Renata acha que eu tenho alterações de humor drásticas e que eu tenho que tomar um moderador de humor. O Roberto acha que tudo bem, só preciso parar, respirar, e lembrar que no momento outras coisas também estavam acontecendo. Meus pais acham que eu poderia aguentar sempre um pouco mais. Alguns amigos acham que não sou muito bem da cabeça. Quem me conhece de verdade acha que sou um pouco imediatista. Pessoas mais velhas dizem que minha ansiedade me consumiu em todas as decisões.
 OKAY. Então agora eu virei uma preguiça dorminte. Acho que passo mais tempo dormindo do que acordada. Por livre e espontânea vontade dormi mais de 14 horas esta noite. Devo deixar as coisas fluírem então também parei de me desesperar com emprego e estou há 4 meses desempregada- tentando manter a calma como nunca tive nestes 5 anos aqui em São Paulo.
  E devo acostumar-me a saber que as coisas não são para sempre, que vou ter que ver coisas que não quero. E tudo bem, penso que esta tudo bem ter que ser massacrada por um monte de pensamentos e ter de deixá-los passar. Ando sendo treinada para isso... Sozinha não me sai muito bem, foi visível- fisicamente e mentalmente...
 Ser imediatista nunca me ajudou em nada então agora sou a rainha da procrastinação. Vamos lá, todos os dias, devagar passar para as coisas saírem sem pressa. Afinal eu também era a rainha da impaciência... Então com bastante porrada na cara eu aprendi que essa coisa de ficar se desesperando em horários e minutos e coisas que não correspondem ao que minha mente maluca esta querendo fazer, de nada adianta atropelar. Acho que estou sendo obrigada a ser zen o tempo inteiro para que um dia eu não exploda de tanto pensar.
 Pois é, toda essa coisa de acupuntura, anti-depressivos, remédios e outras coisas que estou adotando- meio rapidamente à força porque a situação ficou insustentável- estão me transformando em alguma outra coisa que não sei bem o que é.
 E fiquei pensando... faz tempo que não fico pensando igual eu fazia, por horas e horas e horas. Talvez ter saído do meu emprego ocasionou nisso também, afinal,  as horas em que eu mais fundia a cabeça era dentro do trânsito da Teodoro Sampaio. Tinha até uma sequência, maluca, que eu fazia em minha cabeça. Era um random de pensamentos que brotavam e, naquela viradinha do Largo da Batata, eu tinha que decidir o que eu ia pensar o resto do caminho... Pegava o celular, ligava para alguém para falar algo que eu achava que era importante. E depois era uma enxurrada de idéias, e esses dias de idéias me deixavam tão cansada, eu queria ter um bloco a cada vez que elas apareciam, mas era sempre tão inoportuno, normalmente em dias de chuva e enchentes, em que eu literalmente nadava para chegar em meu apartamento... E eu cansava de tantas idéias e ainda por cima não dormia, porque era de madrugada que as idéias falavam mais alto.

 O que chama atenção é que aquele monte de coisa que eu ficava pensando que estava me deixando louca, foi embora. Seria o meu normal estar agora como estou? Ou eu posso dizer que tudo isso não sou eu, que eu deveria encarar aquele monte de maluquice de frente?
 Sempre que estou com alguém, tentando ter uma relação normal, meu eu mais macabro se manifesta ao longo do tempo e faz eu realmente voltar a pensar um monte de maluquice. Isso tudo me deixa certa de que eu tenho que ficar sozinha, para que despertar uma insanidade desnecessária em minha cabeça, que vem mais facilmente se estou acompanhada...? Isso só resulta em um pensamento devastador de que eu serei sozinha o resto da minha vida se eu não souber me comportar bonitinho. Vou ser desempregada o resto da vida enquanto eu não souber levar adiante meus pensamentos de insatisfação constante que surgem quando estou trabalhando com outras pessoas. Vou ter que me mudar para o alto de uma montanha, criar ovelhas e plantar legumes e virar uma eremita maluca ou...tenho que me jogar todas as noites no buraco da augusta e esquecer minha dignidade e beber e trabalhar em algum bar e deixar minha vida boêmia me consumir e viver só até os 40... ou eu terei que tomar uma dose cavalar destas coisas que eu tomo para ser uma pessoa mais calma e TENTAR fazer alguma coisa certa. Ou talvez eu deva me mudar para algum país diferente e começar a ser outra pessoa e esquecer as coisas e achar que estou vivendo de novo... ou quem sabe morar na praia me faça algum bem. Ou continuar morando aqui neste apartamento com dois gatos pretos.

 Até quando olho para os gatos, eu me pergunto quando foi que eu tive essa idéia insana de que botar 2 gatos em um apartamento de menos de 50 m2 quadrados ao lado do minhocão, era uma boa idéia?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

...

 Mais inevitável ainda é a corrente de pensamentos distorcidos que insistem em habitar minha cabeça a essa hora da manhã.
 Minha gata de repente virou a personificação de uma criatura irritante, que insiste em fazer tudo o que repreendo para não ser feito. É como se quisesse mostrar - olha eu aqui, ainda estou presente- o tempo inteiro.
 Ela representa muito bem a idéia irritante de que temos que conviver mesmo com as coisas de que não gostamos. Sim, esta lá para me lembrar...  apesar de, tenho que mover-me adiante.

 
 Vou dormir , e deixar as bobagens tomarem forma.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

...

 Acredito na Lei da Causa e efeito. Veemente. Puramente. Sem discutir.
 Mas tem horas que questiono onde é que entrou a causa, e onde foi que começou o efeito.

 O peso de ser a causa é inevitável.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

amarras...

 Se não sofressemos nossas angústias, não existiriam as obras de arte, a música, poemas e crônicas.
 Nunca vi ninguém produzir alguma coisa realmente boa sem estar com alguma pimenta entalada ali, na garganta, bem mal resolvida.

 Terminei o Amarras, meu último autoral. Influências absurdas de pintores me assolam a alma quando faço o tratamento nestas imagens, devo estar com algum espirito perdido de algum pintor realista pairando dentro do meu apartamento.

 Estou bolando algo para escrever sobre o Amarras. É, porque além de foto preciso de um texto, não sou nada sem meus textos.

Amarras fala sobre fitas preta de cetim presas no nosso corpo. Todo mundo tem, e elas se enrolam em outras fitas, e mais outras fitas. Tem gente que vive a vida inteira sem conseguir desatar os nós produzidos por elas mesmas. Tem gente que corta e consegue ficar feliz sem nenhuma fita. Tem gente que precisa de muitas fitas, e tem gente que não consegue mais se movimentar de tanta fita emaranhada. E as amarras se encontram freneticamente umas as outras.

As vezes se vive uma prisão, de tanta intensidade. E se produz tanta fita ! Mas  das vantagens em se viver demais... é saber que mesmo após aprisionar-se, é possível libertar-se e voltar a ser o que se era. . 





segunda-feira, 15 de novembro de 2010

deslocada

 Estou deslocada.
 Das festas, nos restaurantes, em parques. Em ônibus, andando a pé, sentada em um banco qualquer. Deslocada das conversas, deslocada do silêncio.
Se paro para pensar, não faz sentido. Mas deixar a cabeça vazia, não há muitos caminhos e paro sempre lá, no mesmo lugar. Deslocada.
Com certeza, esta sendo uma das piores fases da minha vida.

domingo, 14 de novembro de 2010

clichê

 Casamentos. Quantos na vida vc se lembra de ter comparecido. Perdi a conta. Quase sempre a mesma coisa. Nunca fui madrinha nem convidada de honra, apenas amiga de amigos, no máximo testemunha de cartório.
 Não sou católica, portanto a missa é um martírio. Quando rezam o pai nosso finjo que estou concentrada olhando para o chão. Eu sei de cor a oração- fruto de uma geração que ainda foi obrigada a fazer catecismo. Decididamente não nasci para ser desta religião. Acho uma grande baboseira o blablabla vc aceita seu marido e blablabla fidelidade. Se o ser humano tivesse nascido fiel, não teríamos tantos divórcios, brigas e pessoas infelizes. Se o ser humano aceitasse que não nasceu para ser monogâmico, talvez ficasse mais satisfeito.
 O que acontece é que mesmo pensando tudo isso e querendo me teletransportar quando a noiva entra na igreja com aquelas músicas angelicais bregas, com violino e tudo o mais, o clichê é tentador. Eu queria o clichê.
Não sonhei casar, nem muito menos de branco. Mas planejei onde seria, com quem e quais convidados. Clichê.
Eu só queria alguém para dançar a "música dos noivos". E a sessão de fotos seria tentadora. Quantos milhões de fotos eu tenho guardadas. Meu clichê é pior do que o de todo mundo porque além de tudo, ele envolve amores antigos, pessoas amigas entre ambos, muita mas muita nostalgia. Meu clichê não tem vestido branco nem dj tocando Dancing Queen, mas vai comover o mais frio de todos os seres humanos. Meu clichê tem muito passado.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

joana

 Joana estava à dispor dos momentos. À dispor para amigos, para saídas sem rumo durante a noite, conversas com sentido existencialista, ou papo de bar. Era a liberdade respirando novamente num corpo quente para toda a novidade. Era puramente liberdade.
 Era sozinha e tão sempre acompanhada. Sozinha por dentro, sabia o que queria, e tantas possibilidades, e a vingança contra os contratempos volta e meia era pensada e repensada, saboreou cada momento como se fosse único- ser sozinha era muito mais do que ter encontrado o amor da vida inteira.
 Mas o fraco sempre foi a paixão sorrateira. Paixão de 1 mês, paixão de vida inteira, não importava, tinha um fraco por paixões. Não era pensado que teria uma paixão novamente, não tão cedo, não por toda a prisão em que esteve. Mas não se escolhe quando e por quem vai se ter uma paixão, e tratando-se de Joana que estava quente para tanta novidade, paixão fazia parte.
 Não se esperava durar muito. E quando passou a durar, não se esperava gostar tanto, e quando passou a se gostar, não queria amar tanto.
 E não amava, era a diversão de possibilidades que ela estava apaixonada. Uma mulher pode ter desamores aos mil, e jurar com uma alma já mordida que não vai amar nunca mais ninguém nesta vida, mas são elas  as mulheres mais felizes de todas as outras, de tantas outras  que não de dispõe totalmente às paixões. Joana dilacerou seu coração e chorou em cada pedaço.
 Quando viu estava à dispor. De tudo, dos ciúmes, da cama, dos costumes, dos pedidos. E foi assim se deixando prender, ela que estava à dispor da vida agora negando com profundo amargor toda a liberdade que lhe foi consentida depois do inferno dos meses anteriores.
 É que Joana achou que não podia ser completa se não tivesse o amor de quem queria, e por um tempo, longo tempo, morreu em tristes tardes de Sábados inteiros. Sábado era o pior dia, e quando chovia, ela sentia que escorria para longe de um presente que não queria mais estar.
 Foi difícil se convencer e quando conseguiu chover junto com a chuva, viu que era completa.
 E agora ela que tanto estava liberta, estava à dispor de alguém que julgou ser merecedor do seu amor desenfreado. Mas, até no amor, como Clarice diz, somos burgueses. Amor demais, ninguém sabe receber.
 E quem disse que queria dar amor demais, ela estava era tentando ter o gosto da paixão de volta, pois é mulher de todas as paixões e não escrava de amores acabados.
 E foi assim que as coisas fizeram sentido para ela.
 Foi se afastando tanto, o tal do grande merecedor das suas dores, afastando tanto, que não deixou mais a saudade.
 A saudade foi virando contentamento, e finalmente, ela percebeu que poderia ir embora.

 As paixões também apagam o dispor ao mundo. Mas o mundo espera . Te aguarda que Joana já sabe chorar e já sabe sorrir outra vez.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

...

 Rasguei cartas com a certeza de que nunca mais gostaria de relê-las. Joguei fora papeisinhos, lembrancinhas, rolhas de vinho e fotos reveladas. Mensagens de texto automaticamente desaparecidas, em coincidências brutais com 2 celulares roubados, mesma época, a mesma pessoa.
 Deletei uma sequência inteira de retratos, guardados com carinho e relembrados com rancor.
 Fui jogando fora com mais pratica do que antes. Do antes, tem até mais coisa guardada, longe do meu alcance não lembro de me desfazer.
 Depois que volta outra vez, já não é mais a mesma coisa. Sobraram recados de internet, mensagens perdidas de e-mails. Vestígios teimosos de alguma coisa que quer se acabar mas não quero (queremos) deixar ir embora.
 Para que tanta delonga, tanto atraso, tanta poesia? Amor velho vai ficando bem pequeno, alguém acaba querendo guardá-lo em algum canto que ainda não recebeu tristeza, mas chega uma hora que não tem mais espaço, cabe apenas em um canto do armário com aquela blusa que nunca vai ser devolvida.
 Não dá para antecipar, o pior de tudo. É um processo que se você pula, tem que voltar de novo. Vai deixando aos poucos as amarras se soltarem, e a certeza de que aquele que mal podia se esperar para encontrar no próximo final de semana, agora já se sabe que não quer mais ser encontrado.
 O injusto, o mais injusto de tudo, é que o bom passado não se apaga como se apagam mensagens de celular. É a única coisa que não vai embora, o maldito passado.

sábado, 28 de agosto de 2010

  É eu penso demais mesmo. Penso por mim, pelos objetos, pelos gatos, pelas pessoas. Penso no que o pensar de fulano ou beltrano vai resultar. Penso que se estão pensando algo de mim, que eu possa saber. 
  Eu tomo conta de tudo o tempo inteiro e adoraria explicar isso para alguém. Não, não sou controladora. É um tomar conta saudável que beira a insanidade às vezes. 
  

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

...

 25 de Março `as 3 da tarde de uma quinta-feira.
 Comprar papel para dobradura na papelaria da esquina.
 Sol. Gente na rua. Varanda.

 Estou tentando me acostumar com tudo isso.

 Por mais que eu tente dizer a mim mesma Esta tudo bem, uma voz fica insistindo que não esta. Isso não é a vida comum... onde esta o stress do trânsito, o ônibus lotado e falta de horário para fazer as coisas? Onde esta aquele levantar coletivo às 8 da manhã em que se esbarram ombros para atravessar o cruzamento da Concolação, e a certeza de que não vai dar tempo de atravessar antes que o sinal feche?
 Sei que disso não sinto saudade. Nem da pressão, da tolice para trazer resultados de uma coisa que você já não aguenta mais ouvir.
 Ia começar a falar das coisas que me deixavam maluca naquele meio engravatado, mas meus gatos pareceram mais interessante neste momento do que qualquer outra coisa que eu me lembre.
 Eles vieram tão em boa hora, que acho que são o meu equilíbrio para não ficar maluca com as decisões que tomei.

 

terça-feira, 24 de agosto de 2010

sou...

 Andam me falando que eu deveria escrever para algum lugar. Reunir tudo, fazer um livro. Tem muito texto meu espalhado por ai mesmo. É que gosto de escrever, mas blog se tornou um problema porque é quase impossível eu resgatar tudo que já escrevi no mundo digital. Males da modernidade.
 Tenho fases para seguir certos pensadores e escritores. Entrei numa onda forte de ler Clarice, ainda mais com tantos livros republicados. Sem querer, descobri 2 com todas as crônicas escritas aos jornais.
 Sim, eu adoraria também escrever crônicas para algum lugar, e acho até que tem muita gente fraca escrevendo bobagens em revistas por ai. Segundo meu ex-editor, eu deveria era montar uma revista. Projetos, vamos aguardar.

 Enquanto isso, antes de pegar no sono, estou aqui devorando aleatoriamente tudo o que vem dentro de "Aprendendo a Viver", o tal do livro das crônicas. Nunca consegui ler as coisas com linearidade, então costumo folhear de trás para frente, do meio para o fim, do fim para as últimas páginas... E acho que o texto esta me caindo tão bem como um desses papeizinhos da sorte que o papagaio da rua tira para você (existe isso ainda?).


Se eu fosse eu


 Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.
 E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara.(...)
 "Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de vida, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. 
(Aprendendo a viver- C.L)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

querem me testar...

 Não quis ir contra as coisas que caem do céu, então fui até uma entrevista que era, diga-se de passagem, onde o judas perdeu as botas. Para mim, tudo o que não tem metrô perto torna-se extremamente chato para se estar presente, por toda a questão do trânsito e blablabla de São Paulo. Já até desisti de comentar o trânsito com as pessoas. Se alguém comenta, na verdade, me causa irritação, porque independente do dia e da hora, se não for dia de jogo do Brasil, os carros vão estar todos entupindo as ruas, a Teodoro Sampaio vai estar parada (isso é como se fosse uma frase santa: a Teodoro nunca esta sem trânsito. Nunca.) e os ônibus vão estar se movendo bem lentamente, independente do sinal verde. 
 Bem, sai de casa 3 horas antes. Dei baixa em minha carteira de trabalho, fiquei impressionada com o desvinculamento que senti na mesma hora- aquele lugar não faz parte mais da minha vida- por enquanto. Cheguei em ponto na estação de trem, e vi que o caos estava formado na marginal. Bem, sem dinheiro nenhum, peguei o táxi e já avisei que ia ter que procurar um banco. O taxista era meio surdo.
 Repito: peguei um taxista meio surdo. Óbvio que a cada 3 palavras que eu dizia, ele me interrompia com um "Hã?" desesperado. Achei que eu poderia estar falando rápido demais. Passamos 3 bancos. Ele não conseguiu parar em nenhum, e quando chegamos do outro lado de uma ponte, não fui capaz de achar nenhum outro banco para tirar dinheiro. O taxímetro rodando. Vamos ter que voltar pra Faria Lima... "Hã?" "é, voltar, achar um banco, entendeu?". Coitado. No final ele sentiu compaixão pelo meu desespero de ter que pagar o quadruplo do que eu teria dar se não fosse o banco, me deu um desconto de 2 reais. 
 Para me deixar maluca da vida, desci no local e notei que sim, havia um Unibanco com letras garrafais bem ao lado. Ainda desci no lado errado da avenida, o que me fez ficar mais de meia hora tentando atravessar uma "marginal pinheiros 2". 

 Contei quanto tempo as pessoas levam para passar pela catraca dos ônibus naquele ponto entre Consolação e Paulista. REPARE bem que há sempre uma fila de ônibus bem ali naquela curva, quando acaba a Dr. Arnaldo, e que o sinal abre e fecha milhões de vezes e nenhum ônibus se move. Cada passageiro leva em média 3 a 5 segundos para passar pela catraca- isso os mais espertos, com cartão nas mãos. Ai tem os desavisados, em que o crédito acabou e o cara fica lá procurando as moedas. Tem ainda o que tenta 3 vezes antes de procurar as moedas, esse leva 15 segundos. Depois vêm os lerdos de verdade. Tartaruga mesmo. Dá passos lentos e passa pela catraca praticamente deitando no cobrador. Agora soma 20 pessoas entrando em um ponto, ao mesmo tempo (porque ninguém pode esperar o ônibus de trás.). E lá se vão 20 minutos, meia hora. 

 Preciso falar que ao meu lado tem que ter uma maria-tenho-crédios-para-ligar-até-para-o-japão ? 
 Deveria haver naquelas placas internas de aviso dos ônibus uma bem grande "proibido falar alto no celular". Pensei em diversas placas que poderiam existir nesse trajeto em que fiquei esperando todos entrarem lentamente pela catraca. Bancos reservados deveriam também  permitir mulheres com salto alto acima de 3 cm. É desumano andar pelo corredor de um ônibus com salto alto. 

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

horas livres

 O mal de ter muitas horas livres é não saber o que fazer com elas. O pior é ter o que fazer, mas não saber por onde começar. Eu fico nem lá, nem cá. Tudo bem, é como se fossem férias, mas nas férias você não precisa pensar tanto no que fazer da sua vida.
 Acho que essa deve ser a questão que mais incomoda uma pessoa: o que eu sou? Para o que sirvo? Onde sou útil?
 É quando essas perguntas batem na minha cabeça que entro em contradições. Até gostaria de trabalhar em uma grande empresa novamente, com regalias, participação em lucros, férias garantidas. Serei útil apenas para aumentar a venda de um careca engravatado gordo, que passa os finais de semana comendo lagosta no iate de 100 pés da família com o sobrenome mais conhecido no google.
 Então se preciso ser útil, não será na grande empresa do Sr. Fulano de Tal.
 Penso que poderia então ser autônoma. Milhões de idéias fervilham nesta cama de cobertor peludo vermelho. Fotografar mulheres de mais de 40 anos, ensaios sensuais com direito a maquiador e pós produção- por que não?
 Serei útil  na vaidade de alguém.
 Penso também que eu poderia viver de escrita. É, escrever crônicas sobre todas as coisas que vejo em todos os cantos de São Paulo. Eu poderia trabalhar de casa também, o dia todo com meu lap no colo, os gatos em minha cama, uma janela anti-ruído seria mais do que necessária. Seria feliz em tocar as pessoas com as coisas que penso. Escrita sempre foi meu forte.
 Posso entrar na primeira agência de publicidade que me aceitar, ganhar menos, trabalhar ao lado de casa e ter tempo para fazer meu mestrado em comunicação. Sim, estudar o que afeta o consumidor, novas tendências, coisas assim. Aqui ao lado, não precisaria nem andar muito. E dar aulas para escolher os horários que quero trabalhar, sem estress com POs a cumprir ou qualquer merda derivada de metas da empresa a atingir (notável ódio crescente quanto ao mundo corporativo).
 Me sinto com 18 anos de novo escolhendo a profissão, infelizmente já tenho 25 e deveria saber o que quero. Mas quem é que sabe muito bem o que quer desta vida?

terça-feira, 27 de julho de 2010

 Estou com a nítida sensação de que de novo fiz tudo ao contrário. Mas será que não vou acertar nunca na minha vida?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Eles

 Eles não são aquele tipo de casal visto todos os dias juntos. Pelo contrário, quando em público e cercado de amigos, nem parece um casal. Não que ela goste de ser assim, meio distante meio nem ai, mas ela também nunca foi cheia de beijos e abraços. Ele é beijos e abraços entre quatro paredes. Ela é quando dá vontade. E assim a vida caminha.
 Não é que se falam como os casais normais, tem vezes que nem se falam. Não que ela também seja muito a favor desta não interação. Mas a melação de uso demais dos artifícios para se falar hoje, irrita. Mais a ele. Na verdade, ele é anti-tecnologia comunicativa. Ela é a favor com os amigos, para marcar coisas. É que ela gosta de marcar coisas de forma mais rápida. Aliás, ela gosta de muitas coisas. Ele, de poucas.
 Acho que ela gosta de quantidade para depois escolher a qualidade. Ele sempre opta pela qualidade, e as vezes perde algumas coisas, assim pela falta de quantidade...

 Sonha com paredes destruidas, água do mar entrando em casa, distante. É a saudade que a pega, mesmo concentrando-se para não ter. Não querer ter saudade é pior do que deixar ela vir.

 É que , apesar dos não abraços e da distância social,  há algum tempo, depois das 6 da tarde, os dois nem perceberam mas deixaram aquela coisa engraçadinha entrar no meio de tudo (a rotina). Mesmo sem falar, sem telefonar, sem mensagensinhas. A cama é dos dois, o apartamento tá lá com cobertor e pipoca no chão, 2 ou 3 copos caídos da semana passada, talvez uma comida caseira esperando. Se pular um dia, parece que ficou faltando um pedaço das horas.

 Mas ela nunca foi fã e rotina e pode ficar feliz uns dias sem a presença dela. Assim que a saudade deixar...assim que ela deixar.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

 Que eu seja chamada de chata, incoerente, louca, exagerada. Que mande eu me ferrar e pode sair andando. Se tem uma coisa que não adimito é a mentira deslavada.
  Cansei de sair perdendo em tudo, quer falar que sou louca, pode falar. Pelo menos dessa vez eu tenho um fato imutável que esta lá, escrito em linhas e muito bem compreendido, não sou burra.
 
   A gente vai engolindo as coisas para não complicar mais ainda a situação, mas nestes casos eu seria uma completa idiota em não falar nada.

   O que eu mais quero agora é ficar sozinha em meu canto, to bem cansada de tudo.
  

segunda-feira, 12 de julho de 2010

blablabla

 A primeira semana dormindo sozinha num apartamento a gente nunca esquece.
 Para mim, calcinha pendurada no box do banheiro, bolsa largada no balcão da sala e meia jogada no corredor é sinônimo de liberdade. E nestes casos pode-se dizer que a liberdade se paga.


 Tenho fundido a cabeça para tomar uma decisão. É tudo contraditório, e ao mesmo tempo, tão certo.
 Aos 25 anos a gente começa a pensar numas coisas meio sem sentido a principio, mas quando você vai ver ao fundo mesmo, a idéia tem fundamento. E quanto mais forma algumas idéias tomam, mais medo temos de tomar A decisão.
 É impressionante a mutabilidade de tudo. Em 1 ano, você olha para trás e diz- É, passou. O quer que você era naquele dia de abril, naquele fim de tarde de julho, naquele verão, nunca mais vai existir. Você tenta então achar a mesma sensação, esbarra em um monte de coisa que não presta, e fica achando que aquilo ali não volta mais.
Eu sou muito agressiva para sentir. Jogo cabeça, corpo e o que mais sobrar em cima de alguma coisa, e ai dessa coisa se ela deixa de ser o que ela era. Posso dizer que meu carma é esse, aceitar a impermanência de todas as coisas.

terça-feira, 15 de junho de 2010

férias e as coisas

 Esperamos por esta fração de liberdade o ano todo. É o único momento que o assalariado pode dizer que o dia foi dele. em 335 dias no ano, podem haver feriados e finais de semana, mas o dia seguinte é sempre do cara que deposita a grana de final de mês na sua conta. É, podemos dizer que somos comprados todos os meses do ano. O aluguel do apartamento te compra. O supermercado te compra. Aquele vestido da vitrine te compra, as botas te compraram, os livros e cds, a diversão. E aí, as férias também te compram.
 Só que nas férias é mais complicado. São 30 dias destinados ao que você quiser fazer, com a moeda de troca em mãos (quando não gastamos loucamente todo o salários torrencial que é depositado antes das férias), você dá o destinos dos ponteiros do relógio.
 E eu não consigo deitar na cama e pensar "que bom , tenho o dia todo para mim". Comecei a busca por um apartamento, e quando vi, estou acordando com corretores de plantão ligando todos os dias para agendar um horário de visita no próximo imóvel. Na verdade quando vi eu estava mais cansada do que minhas 8 horas de trabalho comuns do ano. Quando eu sento para curtir as férias é que me vêm aquelas idéias que estavam loucas para sair do papel, o autoral que ainda não comecei, a capa da Bravo que tenho que fazer, as fotos que nunca imprimi e lugares que nunca visitei aclamam pela minha presença. Aquela frigideira que sempre quis comprar exige que eu vá até a 25 de março comprá-la. Temperos que não encontro no supermercado querem que eu vá amanhã do mercado municipal procurá-los.
 Eu posso dizer que tenho vergonha da minha pessoa, pois viro uma consumista transloucada nas férias. É a melhor epoca para a Polishop anunciar coisas na porta de casa, se eles disserem que eu deveria comprar um batedor de ovos, eu vou encontrar a suprema necessidade em ter que adquirir um.
 Esse é o mal das férias. As coisas que nunca tem vez vão querer comprar você também.

 É, estou consumista hoje.

domingo, 6 de junho de 2010

lados.

O problema todo se resume quando você consegue ser capaz de enxergar os 2 lados de uma mesma situação. Infelizmente os homens não nascem com isso, ou você desenvolve durante sua vida, levando muita porrada, ou vc dá porrada nos outros, e pensa que esta se desenvolvendo na vida.

sábado, 5 de junho de 2010

casinha

  Algumas pessoas são bem decididas em tudo o que fazem. E aceitam o seu ponto de vista como unico, imparcial. Elas vivem muito bem sozinhas. E provavelmente, serão sozinhas o resto de suas vidas.
  As vezes, eu me deparo com gente assim. E como não sei ser egoista, eu vou deixando as coisas passar.
 Assim,  foi nitido o quanto o que eu queria fazer não ia alterar seus programas. O horario que eu gostaria de cumprir não importava a minima, eu poderia cumpri-lo sozinha se quizesse. Eu poderia seguir sozinha meus compromissos, e nem deveria me importar , porque pessoas assim, sozinhas, sao sozinhas até nas decisoes internas e externas que elas tomam, e sua presenca eh um mero adendo a vida delas.
 Mas sabe... essa pessoa não escolheu viver sozinha. E escolhas são escolhas. Você  não escolhe uma casa na praia, se não gosta de praia...não é mesmo?
 Então a casa de praia cansou de ser escolhida por gente que não sabe o que fazer com uma. 
 E resolveu procurar outros moradores.


 Porque quando uma pessoa que não é egoista, toma uma decisão dessas, foi porque ela chegou ao seu extremo.
 Cheguei a pensar que esse dia nunca iria me acontecer, afinal me acostumei a tentar dar o meu maximo para deixar tudo bem sempre. Nem que para isso eu precisasse pedir desculpas sem ter culpa, voltar atras sabendo que aquilo estava doendo- e como doi. Tem coisas que doem mais do que quebrar uma clavicula.  Eu preferia quebrar as minhas duas, a passar por essa tortura mental devoradora de animos.


 Cansei de tudo, daas coisas a que precisei me expor sem ter feito nada, das historinhas de demonstração de agora-eu-sei-que -gosto-de-vc.
- Me da licença que vou passar a noite na casa de swing com mais 20 caras, e ah sim quando voltar, eu saberei se gosto de você.
 Cansei dessa putaria de brincar-de-casinha.


 Eu quero alguém que sabe se relacionar de verdade, porra.

terça-feira, 1 de junho de 2010

imediatistas, ansiosos, impacientes e cia.

Pessoas ansiosas não sabem ouvir um vou pensar. Não conseguem despertar depois do despertador tocar. Não esperam o outro dizer o sim ou o não, e preferem o não do que o talvez.

Pessoas ansiosas comem quente demais e queimam a garganta, porque esperar esfriar acaba com a vontade de comer. Não suportam a lentidão do transito de São Paulo, e sobem a pé as ruas, mesmo na chuva e sem guarda-chuva. Chegam nos lugares antes de todo mundo, e sabem de cor quantos minutos se passaram olhando de segundo em segundo o relógio do celular. E se martirizam quando se atrasam, se torturam por não estar lá quando todo mundo já está.

Ansiosos sabem que o amanhã não será o hoje, e portanto, se não fizer hoje, não terá amanhã. E ai realizam o de hoje, o de amanhã, e se preocupam com o depois. Dormem e são fáceis de acordar. Ansiosos precisam de silêncio absoluto para descansar, porque a cabeça de um ansioso nunca pára de pensar.
Ansiosos costumam ser intensos. Por querer tudo de forma louca, são exagerados. Amam com afinco, mas se desgarram com rapidez.

Ansiosos são pessoas odiadas ou amadas, sem meios termos.


Queria saber ficar sozinha e fugir pra bem longe da ansiedade.


minha vida por um Lindt

 Coisas que me fazem a mulher mais feliz do mundo: morar ao lado de um Pão de Açúcar 24 horas; poder comprar um Lindt de Pistache.
 E sim, era o último que restou na prateleira.

 Vou escrever mais tarde coisas que me fazem amar São Paulo.

 E sim, estou grogue  e é melhor dormir antes que eu bata a cabeça de novo no lixo do banheiro.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

c-a-f-e-í-n-a

Como passar 8 horas do seu dia digitando, falando ao telefone, calculando números e sorrindo, ao mesmo tempo?
Antes de dormir tome 1 paxtrat. E pela manhã, 1 xícara de nespresso e 1 neosaldina.

Estou tão acelerada que posso subir a Teodoro a pé hoje, de salto, com uma mochila de 7 kilos nas costas.

...

Não consigo achar um tema decente para meu autoral. Já pensei em zilhões de coisas, de fotografar gatos a colocar espelhos na av. paulista, mas não sai, estou com um tijolo de bloqueio mental eterno.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

..é uma confusão de sentimentos, porque algo em mim esta bravo demais com tudo e exige que ela tome providências...e Ela só dá o próximo passo quando não há mais saídas.
Ela só se joga quando a queda é certa.
E apesar de saber que não deve imaginar quedas, e deveria manter-se longe dos pensamentos que insistem em sabotar o dia amarelo-feliz que surgiu em meados de Abril, ela pressente que a queda é iminente.
Hoje queria chorar tanto, até sair nadando pelo ralo do banheiro. Foram 45 minutos de um sofrer abafado, dentro do banheiro mais afastado que existia, até alguma alma perdida entrar também no mesmo banheiro, provavelmente querendo também um pouco de paz.
E assim terminou aquele comercial de margarina que estava durando até demais.
Não sei quando foi que começou a dar créditos aos comerciais de margarina.
Ela não tem coragem mais de repetir para si mesma que esta vivendo tudo de novo outra vez, e mais uma vez. O Dr. Roberto não sabe que a surra que ela levou ainda dói, e ela nem consegue também dizer que algo de tanto tempo atrás esta presente. A Dra. Renata não acha válida a desculpa de querer parar o tratamento...às vezes parecem que eles são da família.
Talvez ela deva apelar ao google. Sim, o google deve ter uma solução. Não durma, a noite será longa...

Mas seu coração esta bravo demais para deixa-la em paz.
===
1 da manhã, e a falta das pílulas milagrosas esta fazendo a insônia voltar.
Tudo porque fiz um calculo errado do maldito dia em que deveria marcar o retorno na medica..e agora obviamente estou sofrendo todos os efeitos colaterais que a falta do remédio deve ocasionar. Que bosta. Dormir e comer deveria ser uma coisa fácil...não?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Tem coisas que começam a não valer mais a pena o esforço.
Amor é uma delas.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

repeteco.

coragem... (21/05/09)
Acordou com a música que ouviu quinhentas vezes em menos de uma semana naquele mês de junho. Acordou, na verdade, antes da música tocar, porque acordar antes do despertador é como uma competição, que todos os dias ela ganha. Ganha porque não se deixa ser surpreendida. É, acordou por vontade própria, e não por causa de um maldito despertador. E não deixou-se ouvir muito da música, já sabe a letra de cor mas ouvir é como voltar no tempo. E ficou pensando, sentada no vaso, como todos os pensadores-de-vaso matinais devem fazer- e provavelmente, todas as grandes idéias devem sair de lá, e todas as pequenas também, e todas as sem fundamento, e todos os pensamentos loucos e sem sentido. E pensou. Era tão certo. Sabia o que era ser feliz lembrando a sensação de dirigir o carro ouvindo aquela música que tocou por tantas vezes às 11 da noite e às 5 da manhã nas voltas para casa. E se estava sozinha com certeza era melhor, dava para repetir no caminho por mais 2 vezes a mesma música, sem ninguém para reclamar em como gosta de ouvir a mesma música varias vezes. É , eu gosto do exagero. Vocês que ficam no meio termo, no não esgotamento das coisas, vocês não sabem qual o êxtase de fazer -se tudo até a última gota de vontade dar lugar ao esgotamento. Era feliz porque sabia que alguém esperava, ansioso a sua vinda. Mas era feliz também porque mesmo que não esperasse, ela iria de qualquer forma. Era feliz porque descobriu que aquilo era o que gostava de fazer, aqueles eram os que ela escolheu para estar, e aquele era o lugar definitivo que ela, extasiada, iria esgotar-se de ir até o momento em que ela não mais quisesse. E esta é a delícia de ser quem se é. Era feliz porque a noite iria terminar numa cama, aos sussurros bêbados de amantes ainda não declarados. Iria terminar a noite indo pra casa com vontade de ter mais no dia seguinte. E no dia seguinte, podia optar por não ter, mas o lugar, as pessoas, ainda estariam lá. E que mal haveria em se ter isso para sempre... meu deus, que mal há em querer este pequeno mundo, regado à pessoas que não querem nada da vida, só um pouquinho, em poucas horas de sua semana... ? Depois a vida volta à sua normalidade. E ela esta em um lugar que não escolheu,com pessoas que não escolheu, fazendo algo que também não é sua escolha, para matar o tempo até saber qual será, afinal, a sua escolha. Tem dias que ela não pensa em se casar ou ter filhos. Não quer dividir a cama por dias seguidos com ninguém. Na verdade, ela não quer crescer, nem ter sonhos de gente grande. Ela quer ter finais de semana de risada, insandecidos, sem preocupação, com gente que não quer nada mesmo e que a conhece e não exige respostas. Na verdade, ela não quer crescer. 10 minutos. É o tempo que leva para pensar, sozinha e com todas as caretas que ela pode fazer sem ninguém ali para julgar. 10 minutos, para se dar ao luxo de admitir que ela adoraria mandar tudo às favas, esquecer que ela tem um coração mole, e partir para outra. E continuar ouvindo aquela música, voltando para casa às 5 da manhã, sozinha. Mas a música acaba. E , com exceção desse cd, o resto é a trilha sonora de toda a continuação- porque toda história tem uma continuação. Ela não tem, coragem. É , ela não, tem coragem. O amor faz essas coisas.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Impressionante a importância em saber dar a devida importância aos fatos, na devida quantidade...
Já reparou como um grão de areia pode ser tornar uma montanha se não focarmos no que realmente importa?

Estou aprendendo a andar com os grãos de areia dentro do sapato.
Há 1 mês atrás existia uma praia inteira dentro do meu quarto...
eu diria que consegui reduzir as coisas, dando a devida importância que elas merecem.

terça-feira, 27 de abril de 2010

10-10-10

Quando estiver diante de um dilema, pergunte-se qual a consequência que essa decisão terá em minha vida em 10 minutos, 10 meses ou 10 anos?

Interessante.

E se todas as coisas forem tão, tão importantes que terão consequencias por mais 10 anos?

é... crise existencial.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O problema de dar nomes aos bois é que , uma vez sabendo os nomes, nunca mais se esquece.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

ao acaso...

Algumas coisas me perseguem, ao acaso. Quando por exemplo, entro dentro de um táxi, e uma versão de One Love esta tocando.
Odeio U2, nunca gostei do Bono nem das letras de nada do que eles fazem.
Mas vou postar aqui uma letra, porque ela significa muita coisa para mim. É para eu não mandar mensagens tolas nem fazer nada estúpido, para sanar a vontade de dizer as coisas que eu já disse ao vento, para desabafar...



Is it getting better or do you feel the same
Will it make it easier on you now You got someone to blame You say... One love, one life When it's one need in the night One love, we get to share it Leaves you baby if you Don't care for it Did I disappoint you Or leave a bad taste in your mouth You act like you never had loved And you want me to go without Well it's... Too late, tonight To drag the past out into the light We're one, but we're not the same We get to Carry each other, carry each other One... Have you come here for forgiveness Have you come to raise the dead Have you come here to play Jesus To the lepers in your head Did I ask too much, more than a lot You gave me nothing Now it's all I got We're one, but we're not the same Well we hurt each other Then we do it again You say Love is a temple, Love a higher law Love is a temple, Love the higher law You ask me to enter But then you make me crawl And I can't be holding on to what you got When all you got is hurt One love, one blood, one life You got to do what you should One life with each other Sisters, brothers One life but we're not the same We get to Carry each other, carry each other One...life


é, não tá fácil...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

apesar de...

Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Clarice Lispector (1920-1977)

domingo, 4 de abril de 2010

let it go...

Aprender a viver, é aprender a soltar...
como todas as coisas na vida, tudo tem começo, meio e fim.
Grande parte do nosso sofrimento na vida é porque não conseguimos nos desfazer de algo que não nos pertence mais.

"Se desperdiçarmos essa possibilidade, fechamo-nos e nos deixamos dominar pelo apego. O apego é a fonte de todos os nossos problemas. Uma vez que a impermanência para nós é sinônimo de angústia, agarramo-nos desesperadamente às coisas, mesmo que todas elas mudem. Vivemos com pavor de soltar, com pavor do próprio viver, já que aprender a viver é aprender a soltar. E essa é a tragédia e a ironia da nossa luta pela permanência: ela não só é impossível, como nos traz exatamente a dor que procuramos evitar." Sogyal Rinpoche

se eu puder lembrar disso mais vezes durante o dia, e segurar esta barra outra vez, eu tenho certeza de que serei uma pessoa muito mais feliz daqui para frente...

...

CAUSA FUNDAMENTAL
O Budismo ensina que qualquer carma por mais negativo que seja, é erradicado uma vez que a pessoa experimenta o efeito. Por isto Nitiren Daishonin afirma no Gosho: "Sem os guardiões do inferno para atormentá-los, nunca poderiam sair do inferno". Esta passagem pode parecer atemorizante, mas implica que ninguém ficará confinado no estado de inferno durante a eternidade, não importa que calúnia tenha cometido. Não existe inferno eterno no Budismo.






descontrol

Medo de voltar a escrever e deixar as emoções tomarem conta de mim.
Medo de não controlar o que posso vir a ser no próximo minuto. Medo de não saber lidar com nenhuma situação em que ele esta presente. Medo de ficar o resto da vida presa nesse sentimento.
E o maior medo de todos, o de saber que por minha causa, minha única causa, esta situação aconteceu.

Agir em situações extremas em que não escolhemos estar e temos muita culpa nelas, é um teste de paciência ao qual eu não estou apta a fazer. Eu prefiro me abster da realidade a ter que enfrentar tudo isso outra vez...

Gostaria de poder voltar no tempo e fazer tudo diferente..

Arrependimento.

terça-feira, 16 de março de 2010

a semana da nostalgia

Ai esta o exemplo de uma terça feira nostalgica. Você sabe que esta ficando velho quando as pessoas começam a te procurar, de tempos atrás, te lembrando como aquela tarde de sol na sua casa de praia foi divina, há 7 anos atrás, e você percebe que aquilo nunca mais vai acontecer de novo, não da mesma forma.
Não que você goste desta pessoa, nem que ela seja o homem da sua vida, nem é nada, nada disso, são só memórias do tempo que se passou, a pessoa foi apenas mais uma, mas o tempo foi único.
É engraçado..eu colecionei muita gente e tempos na minha vida.

O fato é que as palavras que eu ouvi, apesar de saber que não estavam vindo de uma pessoa em um estado mais alto de consciência (para ser sutil e não dizer alteradíssimo), eram verdadeiras. É uma saudade do momento, das coisas como elas eram quando se tem 19 anos. Naqueles dias, eu tinha muito mais certeza do que eu queria ser do que hoje.

Eu sinto saudade de mim sozinha, como eu já fui em alguns raros momentos da minha vida.

E achei que aquelas pessoas iam durar pra sempre num curto momento de alguns meses. Nem imaginei que eu ia tomar decisões tão erradas para tentar fazer um caminho mais correto. Acho que a única coisa correta que fiz foi ter me afastado das raves. Mas ai, a partir disso tudo, fiz muita merda....
Ter voltado com o ex namorado talvez tenha sido um dos meus maiores erros, isso eu com certeza vou me condenar por muito tempo. E nem foi pelo desfecho final, talvez o desfecho seja a única coisa boa que tirei de tudo. Mas foi porque eu poderia ter gasto melhor os meus dias, sendo sozinha mesmo. Eu teria sofrido por mil outros Betos, Felipes, e afins, e talvez eu não teria começado a trabalhar, eu não ia querer fugir dos fatos que estariam por acontecer, eu não viria para São Paulo.
Com certeza, eu teria terminado a faculdade no Mackenzie, ido a mais Jucas. Ouviria mais vezes as palavras que eu ouvi hoje.

Saudades e remorso por ter deixado acontecer um caos desnecessário na minha vida.
Apesar do caos ser necessário, eu preferia ter vivido um caos diferente.
Escolher o caos seria mais divertido.

quinta-feira, 4 de março de 2010

o sonho...

O sonho do chiclete me perseguiu a semana inteira.
É uma coisa tão estranha, que merece ser contada em algum lugar. E até então, eu estava escrevendo em um caderno perdido no quarto, mas o último lápis que existia no recinto quebrou, não nem sombras de um apontador aqui, e eu preciso relatar isso em algum lugar.
Eu fico tentando cuspir o chiclete, e ele vai ficando maior e mais grudento, até que eu começo a tentar tirar ele da boca com a mão. Ai, ele gruda na mão também. E fica impossível falar com essa mistura de babaloo rosa e trident verde que eu aparentemente não consigo me desfazer.
Fiquei semanas sonhando com isso e não faço a menor idéia do que possa ser. Talvez um apelo do meu corpo para que eu pare de levantar todos os dias cedo para aumentar a conta bancária dos meus editores.
Hoje eu queria falar tudo o que eu penso dessa babaquice toda de ter que trabalhar sorrindo. Caralho, roubaram minha carteira, no caos matinal de São Paulo. E eu não tive nem tempo para fazer tudo o que se deve fazer quando isso acontece. Cansei de pegar ônibus com esse monte de gente, e alias, eu to cansada de gente.
Ando cansada de varias coisas. De quando me perguntam O que você faz, Qual sua profissão e coisas do gênero... odeio ter que preencher fichas onde me perguntam o que eu sou. Estes formulários de loja em que perguntam sua profissão, " só para constar". Bem, só para constar, eu estou em crise a uns bons 3 anos e não sei o que eu sou. Quer escrever isso ai? Pode escrever.
Fiz 25 anos, e algumas coisas tem ficado mais claras - e mais cinzas- na minha vida. Uma delas é a certeza de se estar sozinho. A outra é a de que se você não quer estar sozinho, recorra a sua família, mas não tão tarde, pois o abismo pode ser muito grande.
Quanto mais acreditamos nas coisas e pensamos que elas são imutáveis, mais estas coisas fazem questão de nos provar que construímos muitos castelos de areia. E quem souber construir um castelo de pedras me avise, até agora tudo o que consegui foi sujar mais e mais o chão por onde eu passo...