sexta-feira, 27 de maio de 2011

 E ela gritou-
 Dai-me forças para abandonar tudo, e começar outra vez.

terça-feira, 17 de maio de 2011

necessário

 É dificil, muito dificil, deixar uma memória ir-se embora sem dar satisfações.
 Você pode abandonar inúmeras vezes um lugar. Pode ir-se embora de apartamentos e cidades. Mudar o número do seu telefone, mudar as ruas por onde anda, deixar seus amigos e familiares para trás.
 Mas uma memória vai embora apenas quando ela quer. Ela, unicamente, tem vida própria. Você pode espernear no chão implorando para sua memória te deixar em paz. A não ser que viva em um filme de Michel Gondry- o que seria absolutamente maravilhoso- sua memória vai ser rígida e

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 Necessária mudança , infelizmente, necessário abandono de velhas idéias, velhos ideais, velhos amigos e velhos costumes. É um longo processo o qual não estou afinada ainda, porém devo dizer que a vida tem seus ciclos. Quando o novo se aproxima é necessário abandonar as memórias anteriores, só assim há liberdade nos sentimentos, só assim não me sufoco mais...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

o viaduto

 Foi até o final da avenida, que guarda em seus prédios farelos de pensamentos e pessoas escondidas. Desejou estar em um deles, para abrir a janela todos os dias e brindar com o viaduto a solidão tão bem vinda.
 Sempre foi apaixonada por prédios velhos, varandas largas, pastilhas de parede. Não importaria o barulho, ali, não senhor. Brindaria o grande espaço do apartamento velho, sozinha, com uma garrafa de vinho, todas as noites de viaduto vazio.
 Foi até o final e lembrou que gostaria que tudo fosse fácil assim, como correr numa rua vazia. Poderia correr até o outro lado, acertar as contas, voltar e dormir com a cabeça em paz no travesseiro de fronha roxa.

 Hoje, tentou achar coragem. Não correu, teve medo de encontrar no final do viaduto uma verdade doída de todas as coisas.