terça-feira, 29 de março de 2011

o não dito

 Essa coisa de deixar as coisas ditas entre linhas não ditas me deixa incrivelmente transtornada.
 Não sei o que foi que existiu ali, mas seja lá o que for, é algo que faz tempo que esta para acontecer, e uma hora ou outra, vai acontecer.

domingo, 27 de março de 2011

No mesmo lugar.

 Eu poderia morrer hoje, morreria feliz.
 Já me aconteceu  usar esta frase algumas vezes. É uma frase que aconselho empregar poucas vezes na vida, pois se muito usada, perde a essência...

 Sei que às vezes, dou demasiada importância a coisas que não merecem tanta atenção. Da mesma forma também tenho uma estima muito grande por momentos que aparentemente, são apenas momentos.
 E pode ser que as pessoas que estão comigo nos momentos de "eu poderia morrer" nem sabem que fazem parte de algo tão assim, digamos, estimado por uma aquariana como eu.
...
 O sol nasceu numa aquarela gigante de cores alaranjadas, naquele céu que por anos passei a madrugada, tentando parar as horas por segundos. Em mim, grandes amores nasceram e morreram, debaixo daquele mesmo céu, olhando para a casinha de madeira e a gangorra, que continuam ainda lá, imutáveis.

 E eu, com a compreensão que tento ter da mutabilidade constante de tudo, soube então que alguns sentimentos são imortais e não mudam.
 Tenho medo das perdas. Das pessoas que vão embora das nossas cabeças, sem a permissão do nosso coração. Não sou uma boa budista como gostaria- sem apego à matéria e às coisas. E eis que cheguei num ponto onde as mudanças mundanas, e toda a correria do presente não pode alcançar...
 O que passou, esta lá, imortal. Meus sentimentos, ainda que bagunçados, estão fincados na terra como aquela gangorra no parquinho.
 Se eu tivesse um relógio, os ponteiros teriam parado.
 A conversa a minha volta era justamente sobre este assunto, como fazer com que o tempo pare.
 Acompanhada de" filósofos depois da meia-noite", algumas vezes me abstenho das conversas, mas gosto de ouvir o que todo mundo tem à falar.

 Dei risada por saber que tudo estava como deveria estar. No mesmo lugar.

sexta-feira, 11 de março de 2011

esperas

 A espera sempre foi uma coisa muito importante nos seus dias.
 Quando o primeiro amor lhe deu as costas, ela não quis aceitar. Assim, como todas as pessoas que nascem querendo provar que sabem ter o que desejam- e ela sabia, e como! - foi atrás de todas as formas que uma garota de seus 18 e poucos anos pode ir. E nem era uma questão de gostar de verdade- talvez até gostasse, quem sou eu para julgar- mas era mais uma coisa de ter que sentir aquele frio na barriga enquanto esperava. É que todo os dias, por três meses, esperou ele chegar e dar um encontrão com ela dentro do ônibus. Por meses acompanhou suas saídas. Perdia a hora do almoço, chegava depois das 14h00 em casa, dizia que ficaria estudando no cursinho, só para ver ele passar.
 E não, não era um desses amores platônicos ou aquela coisa de cinema, que terá um final feliz mas ainda estava no começo. Eles já tinham história- coisa até maior do que dura um casamento hoje em dia. Mas os términos- ah, os términos- é que a faziam sentir aquele frio na barriga, porque ai sim tinha motivo para sofrer, ai tinha motivo para ficar lá, atrás do ponto de ônibus, observando.
 E a espera era sofrida, porque imaginava o que iria dizer. Como poderia abordá-lo. Como seria perguntar depois de meses um "Oi, como vai você?".
 Um dia não aguentou e entrou no mesmo ônibus, duas cadeiras à frente. Sentia uma quentura no pescoço, queria olhar para ver se tinha sido vista. Desceu. Ela nem sabe como, achou que ele teria que passar pela sua frente. Deve ter pulado pela janela- ficou sem reação, se teletransportou.
  No outro dia, foi mais imediatista: entrou, sentou-se ao lado dele, e falou a frase tão aguardada- Oi, como vai você?

 Hoje, era o que ela mais quis fazer, mas não teve a coragem de menina para dar o próximo passo. Vai ficar pra um dia, quem sabe... que agora ela já sabe esperar.



...até porque após tantas esperas, o tal do frio na barriga se transformou  numa bela gastrite. Mas, a vida segue.

quarta-feira, 9 de março de 2011