sábado, 28 de agosto de 2010

  É eu penso demais mesmo. Penso por mim, pelos objetos, pelos gatos, pelas pessoas. Penso no que o pensar de fulano ou beltrano vai resultar. Penso que se estão pensando algo de mim, que eu possa saber. 
  Eu tomo conta de tudo o tempo inteiro e adoraria explicar isso para alguém. Não, não sou controladora. É um tomar conta saudável que beira a insanidade às vezes. 
  

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

...

 25 de Março `as 3 da tarde de uma quinta-feira.
 Comprar papel para dobradura na papelaria da esquina.
 Sol. Gente na rua. Varanda.

 Estou tentando me acostumar com tudo isso.

 Por mais que eu tente dizer a mim mesma Esta tudo bem, uma voz fica insistindo que não esta. Isso não é a vida comum... onde esta o stress do trânsito, o ônibus lotado e falta de horário para fazer as coisas? Onde esta aquele levantar coletivo às 8 da manhã em que se esbarram ombros para atravessar o cruzamento da Concolação, e a certeza de que não vai dar tempo de atravessar antes que o sinal feche?
 Sei que disso não sinto saudade. Nem da pressão, da tolice para trazer resultados de uma coisa que você já não aguenta mais ouvir.
 Ia começar a falar das coisas que me deixavam maluca naquele meio engravatado, mas meus gatos pareceram mais interessante neste momento do que qualquer outra coisa que eu me lembre.
 Eles vieram tão em boa hora, que acho que são o meu equilíbrio para não ficar maluca com as decisões que tomei.

 

terça-feira, 24 de agosto de 2010

sou...

 Andam me falando que eu deveria escrever para algum lugar. Reunir tudo, fazer um livro. Tem muito texto meu espalhado por ai mesmo. É que gosto de escrever, mas blog se tornou um problema porque é quase impossível eu resgatar tudo que já escrevi no mundo digital. Males da modernidade.
 Tenho fases para seguir certos pensadores e escritores. Entrei numa onda forte de ler Clarice, ainda mais com tantos livros republicados. Sem querer, descobri 2 com todas as crônicas escritas aos jornais.
 Sim, eu adoraria também escrever crônicas para algum lugar, e acho até que tem muita gente fraca escrevendo bobagens em revistas por ai. Segundo meu ex-editor, eu deveria era montar uma revista. Projetos, vamos aguardar.

 Enquanto isso, antes de pegar no sono, estou aqui devorando aleatoriamente tudo o que vem dentro de "Aprendendo a Viver", o tal do livro das crônicas. Nunca consegui ler as coisas com linearidade, então costumo folhear de trás para frente, do meio para o fim, do fim para as últimas páginas... E acho que o texto esta me caindo tão bem como um desses papeizinhos da sorte que o papagaio da rua tira para você (existe isso ainda?).


Se eu fosse eu


 Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.
 E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara.(...)
 "Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de vida, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. 
(Aprendendo a viver- C.L)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

querem me testar...

 Não quis ir contra as coisas que caem do céu, então fui até uma entrevista que era, diga-se de passagem, onde o judas perdeu as botas. Para mim, tudo o que não tem metrô perto torna-se extremamente chato para se estar presente, por toda a questão do trânsito e blablabla de São Paulo. Já até desisti de comentar o trânsito com as pessoas. Se alguém comenta, na verdade, me causa irritação, porque independente do dia e da hora, se não for dia de jogo do Brasil, os carros vão estar todos entupindo as ruas, a Teodoro Sampaio vai estar parada (isso é como se fosse uma frase santa: a Teodoro nunca esta sem trânsito. Nunca.) e os ônibus vão estar se movendo bem lentamente, independente do sinal verde. 
 Bem, sai de casa 3 horas antes. Dei baixa em minha carteira de trabalho, fiquei impressionada com o desvinculamento que senti na mesma hora- aquele lugar não faz parte mais da minha vida- por enquanto. Cheguei em ponto na estação de trem, e vi que o caos estava formado na marginal. Bem, sem dinheiro nenhum, peguei o táxi e já avisei que ia ter que procurar um banco. O taxista era meio surdo.
 Repito: peguei um taxista meio surdo. Óbvio que a cada 3 palavras que eu dizia, ele me interrompia com um "Hã?" desesperado. Achei que eu poderia estar falando rápido demais. Passamos 3 bancos. Ele não conseguiu parar em nenhum, e quando chegamos do outro lado de uma ponte, não fui capaz de achar nenhum outro banco para tirar dinheiro. O taxímetro rodando. Vamos ter que voltar pra Faria Lima... "Hã?" "é, voltar, achar um banco, entendeu?". Coitado. No final ele sentiu compaixão pelo meu desespero de ter que pagar o quadruplo do que eu teria dar se não fosse o banco, me deu um desconto de 2 reais. 
 Para me deixar maluca da vida, desci no local e notei que sim, havia um Unibanco com letras garrafais bem ao lado. Ainda desci no lado errado da avenida, o que me fez ficar mais de meia hora tentando atravessar uma "marginal pinheiros 2". 

 Contei quanto tempo as pessoas levam para passar pela catraca dos ônibus naquele ponto entre Consolação e Paulista. REPARE bem que há sempre uma fila de ônibus bem ali naquela curva, quando acaba a Dr. Arnaldo, e que o sinal abre e fecha milhões de vezes e nenhum ônibus se move. Cada passageiro leva em média 3 a 5 segundos para passar pela catraca- isso os mais espertos, com cartão nas mãos. Ai tem os desavisados, em que o crédito acabou e o cara fica lá procurando as moedas. Tem ainda o que tenta 3 vezes antes de procurar as moedas, esse leva 15 segundos. Depois vêm os lerdos de verdade. Tartaruga mesmo. Dá passos lentos e passa pela catraca praticamente deitando no cobrador. Agora soma 20 pessoas entrando em um ponto, ao mesmo tempo (porque ninguém pode esperar o ônibus de trás.). E lá se vão 20 minutos, meia hora. 

 Preciso falar que ao meu lado tem que ter uma maria-tenho-crédios-para-ligar-até-para-o-japão ? 
 Deveria haver naquelas placas internas de aviso dos ônibus uma bem grande "proibido falar alto no celular". Pensei em diversas placas que poderiam existir nesse trajeto em que fiquei esperando todos entrarem lentamente pela catraca. Bancos reservados deveriam também  permitir mulheres com salto alto acima de 3 cm. É desumano andar pelo corredor de um ônibus com salto alto. 

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

horas livres

 O mal de ter muitas horas livres é não saber o que fazer com elas. O pior é ter o que fazer, mas não saber por onde começar. Eu fico nem lá, nem cá. Tudo bem, é como se fossem férias, mas nas férias você não precisa pensar tanto no que fazer da sua vida.
 Acho que essa deve ser a questão que mais incomoda uma pessoa: o que eu sou? Para o que sirvo? Onde sou útil?
 É quando essas perguntas batem na minha cabeça que entro em contradições. Até gostaria de trabalhar em uma grande empresa novamente, com regalias, participação em lucros, férias garantidas. Serei útil apenas para aumentar a venda de um careca engravatado gordo, que passa os finais de semana comendo lagosta no iate de 100 pés da família com o sobrenome mais conhecido no google.
 Então se preciso ser útil, não será na grande empresa do Sr. Fulano de Tal.
 Penso que poderia então ser autônoma. Milhões de idéias fervilham nesta cama de cobertor peludo vermelho. Fotografar mulheres de mais de 40 anos, ensaios sensuais com direito a maquiador e pós produção- por que não?
 Serei útil  na vaidade de alguém.
 Penso também que eu poderia viver de escrita. É, escrever crônicas sobre todas as coisas que vejo em todos os cantos de São Paulo. Eu poderia trabalhar de casa também, o dia todo com meu lap no colo, os gatos em minha cama, uma janela anti-ruído seria mais do que necessária. Seria feliz em tocar as pessoas com as coisas que penso. Escrita sempre foi meu forte.
 Posso entrar na primeira agência de publicidade que me aceitar, ganhar menos, trabalhar ao lado de casa e ter tempo para fazer meu mestrado em comunicação. Sim, estudar o que afeta o consumidor, novas tendências, coisas assim. Aqui ao lado, não precisaria nem andar muito. E dar aulas para escolher os horários que quero trabalhar, sem estress com POs a cumprir ou qualquer merda derivada de metas da empresa a atingir (notável ódio crescente quanto ao mundo corporativo).
 Me sinto com 18 anos de novo escolhendo a profissão, infelizmente já tenho 25 e deveria saber o que quero. Mas quem é que sabe muito bem o que quer desta vida?