sexta-feira, 22 de maio de 2009

covardia?

Não vai para frente, nem para trás. Paralisa. Encosta no telefone e reescreve a mensagem mais trezentas vezes, até acabar o espaço de memória rascunho do celular. E checa o visor uma, duas, três vezes, a cada minuto. É, ninguém ligou, nem vai ligar.
É o tal do gato e rato. Se eu te procuro, você faz pouco caso. Se eu esqueço, você me procura. Se você me procura, faço mais pouco caso ainda do que da última vez, e tenho raiva, muita raiva, porque é claro que a impaciência no coração dos ansiosos é a alavanca de todas as ações- empurra tudo e faz sempre parecer que as coisas deveriam ter acontecido no ontem. Então eu vou sempre procurar, até dar no meu saco , eu me irritar, e finalmente me desprender.
- eu gostaria...
- acho que vou
-acho que não vou
apaga.
-eu pretendo...
- acho que não quero
- você...
apaga.
É a covardia. A filha da puta da covardia em não saber o que fazer, o que dizer, como agir. Gostaria que as coisas se resolvessem sozinhas, e fossem simples, assim, como quando a gente decide comer macarrão ao invés de arroz.
Só que levo pelo menos 1 hora na sessão de massas do mercado para optar por uma marca ou outra. É exigência demais da minha humilde ansiedade querer decidir assim, em um dia, o que vou fazer com a eternidade dos meus sentimentos.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

coragem...

Acordou com a música que ouviu quinhentas vezes em menos de uma semana naquele mês de junho. Acordou, na verdade, antes da música tocar, porque acordar antes do despertador é como uma competição, que todos os dias ela ganha. Ganha porque não se deixa ser surpreendida. É, acordou por vontade própria, e não por causa de um maldito despertador. E não deixou-se ouvir muito da música, já sabe a letra de cor mas ouvir é como voltar no tempo.
E ficou pensando, sentada no vaso, como todos os pensadores-de-vaso matinais devem fazer- e provavelmente, todas as grandes idéias devem sair de lá, e todas as pequenas também, e todas as sem fundamento, e todos os pensamentos loucos e sem sentido. E pensou. Era tão certo. Sabia o que era ser feliz lembrando a sensação de dirigir o carro ouvindo aquela música que tocou por tantas vezes às 11 da noite e às 5 da manhã nas voltas para casa. E se estava sozinha com certeza era melhor, dava para repetir no caminho por mais 2 vezes a mesma música, sem ninguém para reclamar em como gosta de ouvir a mesma música varias vezes.
É , eu gosto do exagero. Vocês que ficam no meio termo, no não esgotamento das coisas, vocês não sabem qual o êxtase de fazer -se tudo até a última gota de vontade dar lugar ao esgotamento.
Era feliz porque sabia que alguém esperava, ansioso a sua vinda. Mas era feliz também porque mesmo que não esperasse, ela iria de qualquer forma. Era feliz porque descobriu que aquilo era o que gostava de fazer, aqueles eram os que ela escolheu para estar, e aquele era o lugar definitivo que ela, extasiada, iria esgotar-se de ir até o momento em que ela não mais quisesse.
E esta é a delícia de ser quem se é.
Era feliz porque a noite iria terminar numa cama, aos sussurros bêbados de amantes ainda não declarados. Iria terminar a noite indo pra casa com vontade de ter mais no dia seguinte. E no dia seguinte, podia optar por não ter, mas o lugar, as pessoas, ainda estariam lá.
E que mal haveria em se ter isso para sempre... meu deus, que mal há em querer este pequeno mundo, regado à pessoas que não querem nada da vida, só um pouquinho, em poucas horas de sua semana... ?
Depois a vida volta à sua normalidade. E ela esta em um lugar que não escolheu,com pessoas que não escolheu, fazendo algo que também não é sua escolha, para matar o tempo até saber qual será, afinal, a sua escolha.
Tem dias que ela não pensa em se casar ou ter filhos. Não quer dividir a cama por dias seguidos com ninguém. Na verdade, ela não quer crescer, nem ter sonhos de gente grande. Ela quer ter finais de semana de risada, insandecidos, sem preocupação, com gente que não quer nada mesmo e que a conhece e não exige respostas.
Na verdade, ela não quer crescer.
10 minutos. É o tempo que leva para pensar, sozinha e com todas as caretas que ela pode fazer sem ninguém ali para julgar. 10 minutos, para se dar ao luxo de admitir que ela adoraria mandar tudo às favas, esquecer que ela tem um coração mole, e partir para outra. E continuar ouvindo aquela música, voltando para casa às 5 da manhã, sozinha.
Mas a música acaba. E , com exceção desse cd, o resto é a trilha sonora de toda a continuação- porque toda história tem uma continuação.
Ela não tem, coragem. É , ela não, tem coragem. O amor faz essas coisas.
Venho encontrando muita gente do passado. Gente que não vejo há anos, 5 anos mesmo, no mínimo. E o mais estranho- eles estão ou morando, ou trabalhando em perdizes. E ai andando de volta para casa, do nada, eu esbarro nessas pessoas. É uma saudade engraçada. Não que eu sinta falta de amigos que nunca mais vi, mas vê-los me trás de volta ao Mackenzie, aos Jucas e às raves e janelas sem aulas que passava nos bares em volta da faculdade, que mal me lembro em dias normais mas vêm à tona quando vejo estas pessoas.

Eu percebi hoje que algumas escolhas que fazemos não devem ser encaradas como definitivas. Quanto maior a definição que você atribui à uma escolha, maior o peso, e maior o sufoco e angústia gerado por um possível erro de escolha.
Sejamos menos definitivos então...
Com essa história de fazer 24 e poucos anos, fiquei séria demais pras coisas simples da vida.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Leio e releio o que escrevi, para ver se dentro daquele dia, dentro daqueles pensamentos, encontro uma resposta para tudo isso.
Para mim, já é a segunda vez que passo pela mesma situação. A mesma loucura de querer levar tudo adiante, mesmo com tudo indo contra.
Parece que eu mesma provoquei essa situação, e sim , acredito na lei da causa e efeito. O famoso efeito borboleta. Mas ali no começo, onde não se sabia de nada um do outro, a única coisa que eu podia ter certeza é de que estava sendo eu mesma. E com o passar dos meses, achei que eu mesma sendo, estava sendo aceita pelo que sou.

Hoje releio coisas...e sinto uma imensa saudade do passado.... e me parece tão gostoso me lembrar dos bons momentos- e só foram bons momentos- que fica difícil imaginar porque não poderiam existir mais bons momentos, se os maus momentos só vieram agora, depois de você me dizer que passou por maus momentos. É estranho pensar que para mim, não houveram maus momentos.

É estranho pensar, que para mim, as coisas iam bem até você me dizer que não vão.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Tem dias que acordo e me sinto vazia. É como se por muitos dias eu estivesse transbordando de alegria e de repente, tudo se esvai ao menor sinal de insegurança.
São poucos os dias que me deixo transbordar.
E são muitos os que eu tenho a certeza de perder.
Isso me irrita e é por isso que estou procurando entender.... chega uma hora que não dá mais para empurrar com a barriga os problemas...
E isso é um problema.

Não sei se é uma loucura da minhca cabeça...muitas vezes os pensamentos se misturam ao que realmente acontece, e eu não consigo distinguir o que é fruto da minha imaginação fértil e o que esta ali, na minha frente de verdade. E diversas vezes, o que estava de verdade na minha frente, eu fiz vista grossa. Incrementei as coisas, tornei tudo poético e fiz minhas soluções dentro da minha própria cabeça. Esqueci de incluir o todo nelas. Era como se o problema fosse sempre dentro da minha cabeça. E até hoje, eu não se é isso mesmo...

Defendo muito o realismo, a verdade nua e crua. As coisas são assim, humanas mesmo. Mas eu caio em contradição quando vejo que, cercada de humanidades, se é que posso usar esse termo, tenho repulsa, um desespero constante de ser atingia pelos atos humanos que me cercam.
E de tanto medo de sofrer no erro dos outros, eu me antecipo...e erro, erro muito, ou parece que erro muito, não sei mais o que faz parte da minha mente ilusionista pregadora de peças ou do meu eu verdadeiro.
Hoje me lembrei do que eu sou quando não tenho medo das coisas. Eu já não sei se essa sou eu mesma... porque alterno entre duas coisas muito opostas, o tempo inteiro. E fico esgotada por alternar tanto o meu jeito em tão pouco tempo.... eu fico puta, putíssima, por não cumprir com as promessas que faço sozinha para eu mesma.
Eu acho uma instrospecção dentro da minha própria falsa extroversão. Eu gostaria de ficar quieta quando na verdade estou gritando e dando pulos de felicidade que deveriam ser contidos, se eu fosse normal como eu deveria ser.
Lógico que eu sei que normal, normal, não existe...mas o descontrole , o desequilíbrio, aquela ânsia de tomar o controle de algo que logicamente esta descontrolado, descambando para a beirada do precipício de novo...é...é isso o que eu faço... ah eu já nem sei mais o que eu faço...

terça-feira, 5 de maio de 2009

... constatações do dia..
estou afugentando as pessoas.
devo estar ficando louca e devo ter começado a agir feito louca. Sem perceber.
ou
devo ser grossa e não percebo também.
De qualquer forma, paira a insegurança...

Estou com vontade de me mudar para outra cidade, mudar de profissão, de tudo, e começar tudo outra vez.