terça-feira, 28 de junho de 2011

 Acostumada a perder coisas, não se importou por não encontrar mais o par do brinco preferido, a blusa que instantaneamente sumiu depois daquele sabado, ou o par da sandalha que misteriosamente desapareceu depois da festa (voltaria com um pé só para casa?).
 Logo, perder pessoas não poderia ser tão diferente.
 Esta acostumando-se a perder.
 Esta noite, esta contente por não procurar.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

 O silêncio. Assim, mortal, direto e cru. Tanta coisa para falar, num alvoroço de pensamentos em minha cabeça, e o silêncio é a única coisa que sai de minha boca, porque as palavras não podem expressar o que quero dizer.
 E as palavras não venceriam a sua cara de desdém. Nem sua verdade, sempre absoluta. Nem seu incômodo exagerado com a minha presença.
 O nosso silêncio, talvez, seja a única coisa de respeito que podemos nos dar.
 Que assim seja, então.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

 E ela gritou-
 Dai-me forças para abandonar tudo, e começar outra vez.

terça-feira, 17 de maio de 2011

necessário

 É dificil, muito dificil, deixar uma memória ir-se embora sem dar satisfações.
 Você pode abandonar inúmeras vezes um lugar. Pode ir-se embora de apartamentos e cidades. Mudar o número do seu telefone, mudar as ruas por onde anda, deixar seus amigos e familiares para trás.
 Mas uma memória vai embora apenas quando ela quer. Ela, unicamente, tem vida própria. Você pode espernear no chão implorando para sua memória te deixar em paz. A não ser que viva em um filme de Michel Gondry- o que seria absolutamente maravilhoso- sua memória vai ser rígida e

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 Necessária mudança , infelizmente, necessário abandono de velhas idéias, velhos ideais, velhos amigos e velhos costumes. É um longo processo o qual não estou afinada ainda, porém devo dizer que a vida tem seus ciclos. Quando o novo se aproxima é necessário abandonar as memórias anteriores, só assim há liberdade nos sentimentos, só assim não me sufoco mais...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

o viaduto

 Foi até o final da avenida, que guarda em seus prédios farelos de pensamentos e pessoas escondidas. Desejou estar em um deles, para abrir a janela todos os dias e brindar com o viaduto a solidão tão bem vinda.
 Sempre foi apaixonada por prédios velhos, varandas largas, pastilhas de parede. Não importaria o barulho, ali, não senhor. Brindaria o grande espaço do apartamento velho, sozinha, com uma garrafa de vinho, todas as noites de viaduto vazio.
 Foi até o final e lembrou que gostaria que tudo fosse fácil assim, como correr numa rua vazia. Poderia correr até o outro lado, acertar as contas, voltar e dormir com a cabeça em paz no travesseiro de fronha roxa.

 Hoje, tentou achar coragem. Não correu, teve medo de encontrar no final do viaduto uma verdade doída de todas as coisas.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

 Você não sabe a importância que tem nas vidas das pessoas. Você se vê sempre do outro lado.
 Ai um dia você sai, sem muito ter o que falar, sem muito ter o para onde ir. Instintivamente, você sai para tomar uns goles de cerveja... e de repente consegue ver o outro lado.
 E de repente alguém te fala para tentar de novo. E você nem lembra muito bem que já tentou. Porque foi mesmo que não deu certo?
 É, é uma opção pela primeira vez ser a que não dá tanta importância. Vamos ver como é ser a que esta tão nem aí.

terça-feira, 29 de março de 2011

o não dito

 Essa coisa de deixar as coisas ditas entre linhas não ditas me deixa incrivelmente transtornada.
 Não sei o que foi que existiu ali, mas seja lá o que for, é algo que faz tempo que esta para acontecer, e uma hora ou outra, vai acontecer.

domingo, 27 de março de 2011

No mesmo lugar.

 Eu poderia morrer hoje, morreria feliz.
 Já me aconteceu  usar esta frase algumas vezes. É uma frase que aconselho empregar poucas vezes na vida, pois se muito usada, perde a essência...

 Sei que às vezes, dou demasiada importância a coisas que não merecem tanta atenção. Da mesma forma também tenho uma estima muito grande por momentos que aparentemente, são apenas momentos.
 E pode ser que as pessoas que estão comigo nos momentos de "eu poderia morrer" nem sabem que fazem parte de algo tão assim, digamos, estimado por uma aquariana como eu.
...
 O sol nasceu numa aquarela gigante de cores alaranjadas, naquele céu que por anos passei a madrugada, tentando parar as horas por segundos. Em mim, grandes amores nasceram e morreram, debaixo daquele mesmo céu, olhando para a casinha de madeira e a gangorra, que continuam ainda lá, imutáveis.

 E eu, com a compreensão que tento ter da mutabilidade constante de tudo, soube então que alguns sentimentos são imortais e não mudam.
 Tenho medo das perdas. Das pessoas que vão embora das nossas cabeças, sem a permissão do nosso coração. Não sou uma boa budista como gostaria- sem apego à matéria e às coisas. E eis que cheguei num ponto onde as mudanças mundanas, e toda a correria do presente não pode alcançar...
 O que passou, esta lá, imortal. Meus sentimentos, ainda que bagunçados, estão fincados na terra como aquela gangorra no parquinho.
 Se eu tivesse um relógio, os ponteiros teriam parado.
 A conversa a minha volta era justamente sobre este assunto, como fazer com que o tempo pare.
 Acompanhada de" filósofos depois da meia-noite", algumas vezes me abstenho das conversas, mas gosto de ouvir o que todo mundo tem à falar.

 Dei risada por saber que tudo estava como deveria estar. No mesmo lugar.

sexta-feira, 11 de março de 2011

esperas

 A espera sempre foi uma coisa muito importante nos seus dias.
 Quando o primeiro amor lhe deu as costas, ela não quis aceitar. Assim, como todas as pessoas que nascem querendo provar que sabem ter o que desejam- e ela sabia, e como! - foi atrás de todas as formas que uma garota de seus 18 e poucos anos pode ir. E nem era uma questão de gostar de verdade- talvez até gostasse, quem sou eu para julgar- mas era mais uma coisa de ter que sentir aquele frio na barriga enquanto esperava. É que todo os dias, por três meses, esperou ele chegar e dar um encontrão com ela dentro do ônibus. Por meses acompanhou suas saídas. Perdia a hora do almoço, chegava depois das 14h00 em casa, dizia que ficaria estudando no cursinho, só para ver ele passar.
 E não, não era um desses amores platônicos ou aquela coisa de cinema, que terá um final feliz mas ainda estava no começo. Eles já tinham história- coisa até maior do que dura um casamento hoje em dia. Mas os términos- ah, os términos- é que a faziam sentir aquele frio na barriga, porque ai sim tinha motivo para sofrer, ai tinha motivo para ficar lá, atrás do ponto de ônibus, observando.
 E a espera era sofrida, porque imaginava o que iria dizer. Como poderia abordá-lo. Como seria perguntar depois de meses um "Oi, como vai você?".
 Um dia não aguentou e entrou no mesmo ônibus, duas cadeiras à frente. Sentia uma quentura no pescoço, queria olhar para ver se tinha sido vista. Desceu. Ela nem sabe como, achou que ele teria que passar pela sua frente. Deve ter pulado pela janela- ficou sem reação, se teletransportou.
  No outro dia, foi mais imediatista: entrou, sentou-se ao lado dele, e falou a frase tão aguardada- Oi, como vai você?

 Hoje, era o que ela mais quis fazer, mas não teve a coragem de menina para dar o próximo passo. Vai ficar pra um dia, quem sabe... que agora ela já sabe esperar.



...até porque após tantas esperas, o tal do frio na barriga se transformou  numa bela gastrite. Mas, a vida segue.

quarta-feira, 9 de março de 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

 Talvez seja verdade mesmo essa história de vidas passadas. A afinidade é tal ponto, que chego a pensar que fui abençoada com alguns amigos que tenho.
 Não gosto de me apegar tanto assim às pessoas. A separação dói.
 Sinto que tenho que continuar insistindo , mesmo quando isso implica em sofrimento.
 Não, eu quero paz. De espírito. De coração.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

 Vontades repentinas de urgência de viver.
 Hoje lembrei que tem uma lista de coisas que tenho a fazer antes do ano que vem. Meus 26 anos vai ser o ano meais louco que eu puder ter.
 É. Urgência de viver é a melhor forma que encontro para cumprir minhas vontades.
 Se Joana pode voltar a ser quem sempre foi, para que atrapalhar?

sábado, 5 de fevereiro de 2011

 De tarde muitas conclusões pipocaram em minha cabeça. Como sempre, não vou lembrar nem de metade do que eu estava mastigando durante a tarde toda com meu cérebro que hoje fundiu.
 Acho que minhas reações estão ficando imprevisíveis e isso esta me deixando para baixo. Eu não deveria ter saído para o lugar que todo mundo estaria presente. A dor é menor se me conformo em não fazer parte das coisas que acho que fazem parte de mim.
 E foi isso uma das coisas mascadas hoje. O que sou eu, o que acho que é o outro, mas também é meu. Tudo sempre anda como se um pedaço de mim estivesse sempre faltando. E é terrível acordar sentindo-se mais uma vez despedaçada.
 Voltei a ter 10 aninhos ontem. Como nos bailinhos de colégio, que eu quando era criança detestava. Eu fui uma menina muito tímida no começo do colégio. A garotinha deslocada do óculos grande e cor de rosa.
 
 Me espatifei no chão e não consegui levantar. Fiquei olhando para as minhas mãos, imaginando que eu poderia cavar um buraco, e me teletransportar para meu quarto, `a prova dos sentimentos mais cretinos que me rondavam e agora estavam ali, se manifestando numa ebriedade insana.

 Não sou apegada a bens materiais, mas perder meu defy foi golpe baixo.
 Eu poderia morrer só um pouquinho hoje. Ou uma boa alma poderia me levar embora de São Paulo, para bem longe de Mogi, numa casa onde eu nunca pisei, com música que não conheço, um espaço sem meu passado.

 Quando me sinto pra baixo, tento lembrar o que me fazia ficar bem. Esta um pouco perdido, como toda a bagunça das coisas em minha vida...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Na vida, há começo , meio, e fim. Na morte, há começo, meio e fim.  Não há vida eterna. Não há morte eterna.

E presume-se que tb não existem amores eternos.

A aplicabilidade da filosofia budista na vida real , em todos os aspectos, me fascina.



Na realidade a gente nasce achando que não vai morrer...
vive achando que as coisas são eternas
supervaloriza pessoas
inferioriza a felicidade simples, e a solidão.

Sendo que passamos a vida inteira e morremos, sozinhos.

Muita coisa pra minha cabeça pensante. E como diz o meu querido terapeuta... "Vi, vc é analitica demais".

Ok, vou dormir.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

 Bem ele teve razão quando disse que eu não sabia aceitar os fatos e as coisas e todas as coisas que envolvem os fatos e as coisas . Sim é assim meio estranho e complicado, mas descomplicando tudo, eu não sei aceitar que alguém não me aceitou mais,
 Foi tão dificil assim tomar uma decisão tão simples, que parece que estou presa nisso e não vou sair mais. Posso me mudar de apartamento como fiz tantas vezes. De emprego, de cidade, e até de país... para chegar ao mesmo ponto de sempre.

 Só uma paixão avassaladora para me tirar desse mundo agora. E já sabemos que paixões avassaladoras tem prazo de validade, o meu já passou.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

 Se o destino de alguém é ficar sozinho, é pura covardia dar caminhos e indícios de felicidade a dois. Se é solidão, que deixe ser.

 E que pare de me manter em fantasmas. Gente que foi um dia uma coisa e foi outra e que hoje não tem nada mais do que já foi.  Que disse um monte de palavra, que pra mim não faz sentido. Que vão todos embora, que hoje vejo fotos e sinto o vazio.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

...

As coisas estão acontecendo rápido, cada vez mais rápido do que consigo processar. 4 meses sem trabalhar e pareceu que o tempo voou.
Pessoas com as mesmas metas, trabalho novo, cabeça nova. É, este ano vai ser diferente.
 Pedidos mentais de menos sentimento e mais sucesso gritaram dentro da minha cabeça, confusa, no dia da virada- como se mudar de ano fosse o passo inicial para as coisas mudarem... Ainda assim, tem sido difícil admitir que meu coração tem de estar vazio para eu ser quem eu sou.