domingo, 27 de março de 2011

No mesmo lugar.

 Eu poderia morrer hoje, morreria feliz.
 Já me aconteceu  usar esta frase algumas vezes. É uma frase que aconselho empregar poucas vezes na vida, pois se muito usada, perde a essência...

 Sei que às vezes, dou demasiada importância a coisas que não merecem tanta atenção. Da mesma forma também tenho uma estima muito grande por momentos que aparentemente, são apenas momentos.
 E pode ser que as pessoas que estão comigo nos momentos de "eu poderia morrer" nem sabem que fazem parte de algo tão assim, digamos, estimado por uma aquariana como eu.
...
 O sol nasceu numa aquarela gigante de cores alaranjadas, naquele céu que por anos passei a madrugada, tentando parar as horas por segundos. Em mim, grandes amores nasceram e morreram, debaixo daquele mesmo céu, olhando para a casinha de madeira e a gangorra, que continuam ainda lá, imutáveis.

 E eu, com a compreensão que tento ter da mutabilidade constante de tudo, soube então que alguns sentimentos são imortais e não mudam.
 Tenho medo das perdas. Das pessoas que vão embora das nossas cabeças, sem a permissão do nosso coração. Não sou uma boa budista como gostaria- sem apego à matéria e às coisas. E eis que cheguei num ponto onde as mudanças mundanas, e toda a correria do presente não pode alcançar...
 O que passou, esta lá, imortal. Meus sentimentos, ainda que bagunçados, estão fincados na terra como aquela gangorra no parquinho.
 Se eu tivesse um relógio, os ponteiros teriam parado.
 A conversa a minha volta era justamente sobre este assunto, como fazer com que o tempo pare.
 Acompanhada de" filósofos depois da meia-noite", algumas vezes me abstenho das conversas, mas gosto de ouvir o que todo mundo tem à falar.

 Dei risada por saber que tudo estava como deveria estar. No mesmo lugar.

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