A espera sempre foi uma coisa muito importante nos seus dias.
Quando o primeiro amor lhe deu as costas, ela não quis aceitar. Assim, como todas as pessoas que nascem querendo provar que sabem ter o que desejam- e ela sabia, e como! - foi atrás de todas as formas que uma garota de seus 18 e poucos anos pode ir. E nem era uma questão de gostar de verdade- talvez até gostasse, quem sou eu para julgar- mas era mais uma coisa de ter que sentir aquele frio na barriga enquanto esperava. É que todo os dias, por três meses, esperou ele chegar e dar um encontrão com ela dentro do ônibus. Por meses acompanhou suas saídas. Perdia a hora do almoço, chegava depois das 14h00 em casa, dizia que ficaria estudando no cursinho, só para ver ele passar.
E não, não era um desses amores platônicos ou aquela coisa de cinema, que terá um final feliz mas ainda estava no começo. Eles já tinham história- coisa até maior do que dura um casamento hoje em dia. Mas os términos- ah, os términos- é que a faziam sentir aquele frio na barriga, porque ai sim tinha motivo para sofrer, ai tinha motivo para ficar lá, atrás do ponto de ônibus, observando.
E a espera era sofrida, porque imaginava o que iria dizer. Como poderia abordá-lo. Como seria perguntar depois de meses um "Oi, como vai você?".
Um dia não aguentou e entrou no mesmo ônibus, duas cadeiras à frente. Sentia uma quentura no pescoço, queria olhar para ver se tinha sido vista. Desceu. Ela nem sabe como, achou que ele teria que passar pela sua frente. Deve ter pulado pela janela- ficou sem reação, se teletransportou.
No outro dia, foi mais imediatista: entrou, sentou-se ao lado dele, e falou a frase tão aguardada- Oi, como vai você?
Hoje, era o que ela mais quis fazer, mas não teve a coragem de menina para dar o próximo passo. Vai ficar pra um dia, quem sabe... que agora ela já sabe esperar.
...até porque após tantas esperas, o tal do frio na barriga se transformou numa bela gastrite. Mas, a vida segue.
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