Foi até o final da avenida, que guarda em seus prédios farelos de pensamentos e pessoas escondidas. Desejou estar em um deles, para abrir a janela todos os dias e brindar com o viaduto a solidão tão bem vinda.
Sempre foi apaixonada por prédios velhos, varandas largas, pastilhas de parede. Não importaria o barulho, ali, não senhor. Brindaria o grande espaço do apartamento velho, sozinha, com uma garrafa de vinho, todas as noites de viaduto vazio.
Foi até o final e lembrou que gostaria que tudo fosse fácil assim, como correr numa rua vazia. Poderia correr até o outro lado, acertar as contas, voltar e dormir com a cabeça em paz no travesseiro de fronha roxa.
Hoje, tentou achar coragem. Não correu, teve medo de encontrar no final do viaduto uma verdade doída de todas as coisas.
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