segunda-feira, 26 de julho de 2010

Eles

 Eles não são aquele tipo de casal visto todos os dias juntos. Pelo contrário, quando em público e cercado de amigos, nem parece um casal. Não que ela goste de ser assim, meio distante meio nem ai, mas ela também nunca foi cheia de beijos e abraços. Ele é beijos e abraços entre quatro paredes. Ela é quando dá vontade. E assim a vida caminha.
 Não é que se falam como os casais normais, tem vezes que nem se falam. Não que ela também seja muito a favor desta não interação. Mas a melação de uso demais dos artifícios para se falar hoje, irrita. Mais a ele. Na verdade, ele é anti-tecnologia comunicativa. Ela é a favor com os amigos, para marcar coisas. É que ela gosta de marcar coisas de forma mais rápida. Aliás, ela gosta de muitas coisas. Ele, de poucas.
 Acho que ela gosta de quantidade para depois escolher a qualidade. Ele sempre opta pela qualidade, e as vezes perde algumas coisas, assim pela falta de quantidade...

 Sonha com paredes destruidas, água do mar entrando em casa, distante. É a saudade que a pega, mesmo concentrando-se para não ter. Não querer ter saudade é pior do que deixar ela vir.

 É que , apesar dos não abraços e da distância social,  há algum tempo, depois das 6 da tarde, os dois nem perceberam mas deixaram aquela coisa engraçadinha entrar no meio de tudo (a rotina). Mesmo sem falar, sem telefonar, sem mensagensinhas. A cama é dos dois, o apartamento tá lá com cobertor e pipoca no chão, 2 ou 3 copos caídos da semana passada, talvez uma comida caseira esperando. Se pular um dia, parece que ficou faltando um pedaço das horas.

 Mas ela nunca foi fã e rotina e pode ficar feliz uns dias sem a presença dela. Assim que a saudade deixar...assim que ela deixar.

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