terça-feira, 28 de setembro de 2010

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 Rasguei cartas com a certeza de que nunca mais gostaria de relê-las. Joguei fora papeisinhos, lembrancinhas, rolhas de vinho e fotos reveladas. Mensagens de texto automaticamente desaparecidas, em coincidências brutais com 2 celulares roubados, mesma época, a mesma pessoa.
 Deletei uma sequência inteira de retratos, guardados com carinho e relembrados com rancor.
 Fui jogando fora com mais pratica do que antes. Do antes, tem até mais coisa guardada, longe do meu alcance não lembro de me desfazer.
 Depois que volta outra vez, já não é mais a mesma coisa. Sobraram recados de internet, mensagens perdidas de e-mails. Vestígios teimosos de alguma coisa que quer se acabar mas não quero (queremos) deixar ir embora.
 Para que tanta delonga, tanto atraso, tanta poesia? Amor velho vai ficando bem pequeno, alguém acaba querendo guardá-lo em algum canto que ainda não recebeu tristeza, mas chega uma hora que não tem mais espaço, cabe apenas em um canto do armário com aquela blusa que nunca vai ser devolvida.
 Não dá para antecipar, o pior de tudo. É um processo que se você pula, tem que voltar de novo. Vai deixando aos poucos as amarras se soltarem, e a certeza de que aquele que mal podia se esperar para encontrar no próximo final de semana, agora já se sabe que não quer mais ser encontrado.
 O injusto, o mais injusto de tudo, é que o bom passado não se apaga como se apagam mensagens de celular. É a única coisa que não vai embora, o maldito passado.

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