Há exatos 2 meses, meu terapeuta vem me falando que tenho que dormir mais cedo. Há exatos 8 meses eu tive minha crise intensa de não-durmo-nunca-mais-meu-deus-vou-morrer. Há 2 anos notei que o que meu vizinho do andar de cima de casa estava fazendo todas as noites intervinha mais do que o normal em meu sono. Há 3 anos eu devo ter percebido que era uma pessoa um tanto quanto ansiosa demais.
Engraçado tudo isso. Você acha que uma coisa é apenas uma coisa, e quando vê, ela é a ponta de todo um iceberg. Quero dizer, quando é que você vai sacar que suas noites mal dormidas tem realmente a ver com você também não conseguir se relacionar com as pessoas, ou que você ter perdido mais de 8 kilos em menos de meio ano tem também à ver com não dormir... ? Agora parece óbvio mas no meio do caos completo tudo fica sem sentido.
Eu gostaria de dar mais sentido às coisas. Tem horas que as coisas fazem muito sentido, normalmente sentada na frente do meu querido terapeuta. Mas depois chego em casa, vou botando as coisas em ordem, vou procrastinando outras tantas e de repente estou maluca achando que tudo esta sem pé nem cabeça. Ai vou ficando obcecada com um milhão de conclusões... de porquês imaginados, de causas descausadas. Todas elas fazem sentido, na hora sabe. E tudo o que eu organizei bonitinho em minha cabeça, no momento em que tive que tomar alguma decisão drástica cai por terra.
Porque foi mesmo que eu sai da porra do meu emprego? O que deu em mim para sair do estágio antes dele terminar? Porque é que eu sai daquele apartamento...aquele ótimo na paulista? O que deu em mim quando eu sai, novamente, de mais outro apartamento? Meu deeeus de novo outra mudança, quantas mudanças de casa eu fiz esse ano, porque raios voltei pra mogi no meio de 2008. eu já não consigo me lembrar... E porque foi mesmo que eu não fui naquela entrevista de emprego e neguei aquele outro? Caralho porque é que eu terminei meu último relacionamento? Porque é que eu fui naquele lugar que não deveria ter ido? Porque falei aquela coisa mesmo? Aquela frase que eu poderia ter guardado para mim... Quando foi que deixei de falar com aquelas pessoas? . A Dra. Renata acha que eu tenho alterações de humor drásticas e que eu tenho que tomar um moderador de humor. O Roberto acha que tudo bem, só preciso parar, respirar, e lembrar que no momento outras coisas também estavam acontecendo. Meus pais acham que eu poderia aguentar sempre um pouco mais. Alguns amigos acham que não sou muito bem da cabeça. Quem me conhece de verdade acha que sou um pouco imediatista. Pessoas mais velhas dizem que minha ansiedade me consumiu em todas as decisões.
OKAY. Então agora eu virei uma preguiça dorminte. Acho que passo mais tempo dormindo do que acordada. Por livre e espontânea vontade dormi mais de 14 horas esta noite. Devo deixar as coisas fluírem então também parei de me desesperar com emprego e estou há 4 meses desempregada- tentando manter a calma como nunca tive nestes 5 anos aqui em São Paulo.
E devo acostumar-me a saber que as coisas não são para sempre, que vou ter que ver coisas que não quero. E tudo bem, penso que esta tudo bem ter que ser massacrada por um monte de pensamentos e ter de deixá-los passar. Ando sendo treinada para isso... Sozinha não me sai muito bem, foi visível- fisicamente e mentalmente...
Ser imediatista nunca me ajudou em nada então agora sou a rainha da procrastinação. Vamos lá, todos os dias, devagar passar para as coisas saírem sem pressa. Afinal eu também era a rainha da impaciência... Então com bastante porrada na cara eu aprendi que essa coisa de ficar se desesperando em horários e minutos e coisas que não correspondem ao que minha mente maluca esta querendo fazer, de nada adianta atropelar. Acho que estou sendo obrigada a ser zen o tempo inteiro para que um dia eu não exploda de tanto pensar.
Pois é, toda essa coisa de acupuntura, anti-depressivos, remédios e outras coisas que estou adotando- meio rapidamente à força porque a situação ficou insustentável- estão me transformando em alguma outra coisa que não sei bem o que é.
E fiquei pensando... faz tempo que não fico pensando igual eu fazia, por horas e horas e horas. Talvez ter saído do meu emprego ocasionou nisso também, afinal, as horas em que eu mais fundia a cabeça era dentro do trânsito da Teodoro Sampaio. Tinha até uma sequência, maluca, que eu fazia em minha cabeça. Era um random de pensamentos que brotavam e, naquela viradinha do Largo da Batata, eu tinha que decidir o que eu ia pensar o resto do caminho... Pegava o celular, ligava para alguém para falar algo que eu achava que era importante. E depois era uma enxurrada de idéias, e esses dias de idéias me deixavam tão cansada, eu queria ter um bloco a cada vez que elas apareciam, mas era sempre tão inoportuno, normalmente em dias de chuva e enchentes, em que eu literalmente nadava para chegar em meu apartamento... E eu cansava de tantas idéias e ainda por cima não dormia, porque era de madrugada que as idéias falavam mais alto.
O que chama atenção é que aquele monte de coisa que eu ficava pensando que estava me deixando louca, foi embora. Seria o meu normal estar agora como estou? Ou eu posso dizer que tudo isso não sou eu, que eu deveria encarar aquele monte de maluquice de frente?
Sempre que estou com alguém, tentando ter uma relação normal, meu eu mais macabro se manifesta ao longo do tempo e faz eu realmente voltar a pensar um monte de maluquice. Isso tudo me deixa certa de que eu tenho que ficar sozinha, para que despertar uma insanidade desnecessária em minha cabeça, que vem mais facilmente se estou acompanhada...? Isso só resulta em um pensamento devastador de que eu serei sozinha o resto da minha vida se eu não souber me comportar bonitinho. Vou ser desempregada o resto da vida enquanto eu não souber levar adiante meus pensamentos de insatisfação constante que surgem quando estou trabalhando com outras pessoas. Vou ter que me mudar para o alto de uma montanha, criar ovelhas e plantar legumes e virar uma eremita maluca ou...tenho que me jogar todas as noites no buraco da augusta e esquecer minha dignidade e beber e trabalhar em algum bar e deixar minha vida boêmia me consumir e viver só até os 40... ou eu terei que tomar uma dose cavalar destas coisas que eu tomo para ser uma pessoa mais calma e TENTAR fazer alguma coisa certa. Ou talvez eu deva me mudar para algum país diferente e começar a ser outra pessoa e esquecer as coisas e achar que estou vivendo de novo... ou quem sabe morar na praia me faça algum bem. Ou continuar morando aqui neste apartamento com dois gatos pretos.
Até quando olho para os gatos, eu me pergunto quando foi que eu tive essa idéia insana de que botar 2 gatos em um apartamento de menos de 50 m2 quadrados ao lado do minhocão, era uma boa idéia?
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