Peguei o trem e senti que, apesar da muvuca de sempre, ele esta diferente. Esta pior. Não que esteja mais destruido ou mais cheio. Continua com a mesma afobação das pessoas em querer pegar uma cadeira, e todos continuam se estapeando por um canto. Mas hoje eu presenciei niditamente o inferno que um professor meu de Proxêmica falava que estavamos vivendo, quando eu fazia mackenzie.....
Celular é um aparellho filho da puta.
O trem já estava aquele balaio de gato, eu consegui um lugar para me sentar e ler o livro, que exige certa concentração porque é em inglês, e eu realmente estou meio destreinada e lenta para ler coisas em inglês, ainda mais com gírias e derivados... Mas eu já sou acostumada com aquele cortiço, então tudo ok...até que na estação ,sei lá, Brás eu acho, entram uns 10 adolescentes barulhentos, mas muito barulhentos, todos com o aparelinho maldito ligados em um funk ininteligível, outros com um jogo insuportavelmente alto, todos , e eu digo TODOS ao mesmo tempo. Juro, eu ergui os olhos, para localizar o que estava se passando, porque foi uma coisa realmente pertubadora. E foi assim, o caminho inteiro, aquele funk ligado no viva voz do celular como se fosse do gosto de todo mundo ouvir aquela merda até guaianazes.
É engraçado, e irônico. O cara deve deixar de comer pra comprar um celular com mp3.
E eu, que tenho um mero celular com foninhos bem ruins, tentei inultimente ligar na estação de radio e tentar amenizar o barulho. Ai o trem entrou no túnel, e eu fiquei sem ter escolha. Fui ouvindo o funk, o joguinho pentelho e a menina de 13 anos se amassando com o a cara na porta ao lado.
Sim, ultimamente estou extremamente xenofóbica quanto à massa. Com estas crises todas acontecendo, quem se fode não é nem pobre, nem rico, é classe média que fica no meio do caos. Ai você começa a ficar meio louca da vida, pensando... será que alguém nota estas coisas?
Seu carro é roubado , e não tinha seguro. E não tinha seguro porque seu pai esta desempregado e o seguro não era prioridade. E seu pai esta desempregado porque acreditou que trabalhar em empresa era seguro, e todos tentam levar uma vida honesta ...e ai você esta acostumada a levar essa vida mediana, mas ao menor sinal de crise, bum...tudo vai desabando. Quem tá lá embaixo, nem sente, continua no limbo. Quem tá lá em cima não é atingido, mas quem tá no meio vai levando nabo...E eu não sei se isso vai passando de geração para geração- porque analisando bem, a minha família tem um histórico problemático de renda- ou se em algum momento, há uma catarse em uma das partes da família, e o indivíduo se torna o maior corrupto da história e resolve ganhar rios de dinheiro para mudar o rumo da sua vida. E lógico, quem ganha dinheiro , aqui, ganha de formas ilícitas. Vou virar deputada.... dona de cassino....vendedora de drogas ou algo do gênero.
E continuando a saga do apartamento, ainda não tomei uma decisão. Eu não sei o que pensei da vida quando decidi sair de São Paulo, mas eu sei que eu não estava pensando. Pelo menos não com a cabeça.
Com 24 anos, era para supostamente eu estar com a vida mais ou menos no lugar. Ao invés disso, a única coisa que esta pesando é uma responsabilidade incrível que eu tenho que ter, e que eu não estou sabendo administrar, que é a de como vou ganhar a vida nos meus próximos 50 anos. Eu daria de tudo, tudo mesmo, pra parar um pouco o tempo e decidir melhor o que fzer.
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