terça-feira, 30 de novembro de 2010

amarras...

 Se não sofressemos nossas angústias, não existiriam as obras de arte, a música, poemas e crônicas.
 Nunca vi ninguém produzir alguma coisa realmente boa sem estar com alguma pimenta entalada ali, na garganta, bem mal resolvida.

 Terminei o Amarras, meu último autoral. Influências absurdas de pintores me assolam a alma quando faço o tratamento nestas imagens, devo estar com algum espirito perdido de algum pintor realista pairando dentro do meu apartamento.

 Estou bolando algo para escrever sobre o Amarras. É, porque além de foto preciso de um texto, não sou nada sem meus textos.

Amarras fala sobre fitas preta de cetim presas no nosso corpo. Todo mundo tem, e elas se enrolam em outras fitas, e mais outras fitas. Tem gente que vive a vida inteira sem conseguir desatar os nós produzidos por elas mesmas. Tem gente que corta e consegue ficar feliz sem nenhuma fita. Tem gente que precisa de muitas fitas, e tem gente que não consegue mais se movimentar de tanta fita emaranhada. E as amarras se encontram freneticamente umas as outras.

As vezes se vive uma prisão, de tanta intensidade. E se produz tanta fita ! Mas  das vantagens em se viver demais... é saber que mesmo após aprisionar-se, é possível libertar-se e voltar a ser o que se era. .